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A Morte do São João!

Foto: Amannda Oliveira

Faz tempo que o São João no Nordeste começou a morrer. Já não se vê “Alavantú” nem alguém gritando “Anarriê”. A festa junina virou um grande festival do mais do mesmo. De janeiro a janeiro, os mesmos nomes, as mesmas músicas ruins e a mesma ausência da identidade da cultura local nos palcos culturais, que diminuem a cada ano.

Os gestores municipais fazem questão de anunciar com orgulho o que chamam de grandes atrações, enquanto os artistas da terra são deixados de lado, com números de apresentações cada vez mais mirrados. As festas dos bairros deixaram de existir.

As fogueiras quase não existem mais. E a tradição junina, que era uma das maiores riquezas do Nordeste, se esvai nas mãos das produtoras contratadas oficialmente para assassinar o São João.

E, meu caro leitor, isso não é mais um lamento. É constatação. Basta pegar os números e comparar. Enquanto, no chamado PALCO MULTICULTURAL, as prefeituras investem milhões, os palcos de cultura recebem investimentos que equivalem, muitas vezes, à contratação de apenas um artista do palco dos “famosos”.

Os artistas que sustentam, de fato, as nossas tradições recebem pouco. Enquanto os camarins dos artistas do palco multicultural são regados a frios, uísque e salas organizadas, os camarins dos artistas locais têm sanduíche frio, café, água e cadeiras de plástico. Isso quando o teto não cai.

Entra prefeito, sai prefeito, e o assassinato continua.

Em breve, muito em breve, daremos aqui a notícia: “A morte do São João”. E toda a magia que tanto atraía os turistas para as chamadas festas tradicionais será apenas lembrança — imagens tão desbotadas que já nem se conseguem enxergar.

Ai, que saudade eu sinto das noites de São João...

Amannda Oliveira

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