O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é suspeito de ter encomendado uma invasão hacker ao iCloud do seu telemóvel apreendido pela Polícia Federal, com o objetivo de apagar provas durante a Operação Compliance Zero. O plano, executado enquanto cumpria prisão domiciliar em janeiro, contou com a intermediação do empresário Thiago Miranda e do especialista em cibersegurança Thiago Santos, que confessou a ação às autoridades. A investida também visava a conta do operador financeiro e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, mas a movimentação foi prontamente detetada pelos investigadores antes que qualquer dado fosse eliminado.
As investigações apontam que a tentativa frustrada de apagar ficheiros e mensagens do serviço na nuvem não impediu os agentes de preservar e aceder ao conteúdo integral do dispositivo. Além do ataque informático, a Polícia Federal apura a atuação do grupo em ações de monitorização, na remoção de reportagens desfavoráveis da internet e em campanhas de influenciadores contra o Banco Central após a liquidação da instituição financeira. Vorcaro, investigado por fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção, voltou a ser preso em março deste ano e permanece detido em Brasília.
Em resposta às acusações divulgadas pela revista piauí e confirmadas pelo Estadão, a defesa de Thiago Miranda assegurou a legalidade dos seus atos, enquanto Thiago Santos alegou ter prestado esclarecimentos voluntariamente à polícia. A defesa de Fabiano Zettel e a do próprio Daniel Vorcaro não responderam às solicitações de esclarecimento. Os relatórios produzidos posteriormente pela PF já incorporam os diálogos recuperados no aparelho, consolidando o material como elemento probatório no processo.

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