Disputa do segundo turno mobiliza estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro para atrair abstencionistas

 

Foto: Reprodução

Os 33,4 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno tornaram-se o foco central das estratégias das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para a votação do próximo dia 25 de outubro. A separação entre os dois candidatos é de 2,2 milhões de votos (1,9 ponto percentual), a menor distância já registrada entre o primeiro e o segundo colocado na primeira etapa de uma eleição presidencial desde a redemocratização. Diante do feito inédito, especialistas apontam que o cenário mantém a disputa em aberto, embora ressaltem os desafios históricos para uma virada do petista — uma vez que nenhum candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu reverter o placar no Brasil. Para analistas como Leonardo Martins Barbosa (Cebrap) e Creomar de Souza (Fundação Dom Cabral), a margem estreita atual inédita exige uma análise cautelosa, ainda que o pouco tempo de campanha dificulte a ampliação de contingentes que não foram mobilizados na primeira votação.

A abstenção, que atingiu 21,08% do eleitorado apto na primeira etapa, consolida-se como o maior grupo em disputa. Contudo, especialistas como a cientista política Luciana Fernandes Veiga (Unirio/FGV) ponderam que convencer eleitores que habitualmente faltam às urnas a comparecer no segundo turno é uma tarefa complexa, como demonstrou o pleito de 2022, quando a variação dos faltosos foi mínima entre os dois turnos (de 20,95% para 20,59%).

Em paralelo, o destino dos votos dos postulantes derrotados também mobiliza os articuladores políticos. Flávio Bolsonaro já garantiu o apoio formal de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), este último após o compromisso por escrito com suas propostas programáticas, enquanto Renan Santos (Missão) adotou uma postura de neutralidade. Apesar disso, cientistas políticos ressaltam que o alinhamento de lideranças não garante a transferência automática do eleitorado, mantendo a disputa acirrada por essa fatia de votantes.

A conjuntura ganha traços ainda mais decisivos com os resultados das eleições legislativas, nas quais o PL conquistou a maior bancada na Câmara e ampliou sua presença no Senado, fato apontado como um trunfo relevante para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Para reverter a desvantagem, a estratégia da campanha de Lula está centrada em reduzir o índice de abstenção, buscar votos dos candidatos eliminados e recuperar eleitores que não mantiveram o apoio dado ao presidente em pleitos anteriores. Em contrapartida, a candidatura de Flávio busca consolidar a liderança obtida, absorver a maior parcela possível das correntes derrotadas no primeiro turno e também angariar adesões entre os eleitores que não compareceram às urnas, definindo o rumo das campanhas até o encerramento do pleito no dia 25.


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