Sob o pretexto de "redemocratizar" o país, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a proferir ataques velados e explícitos às instituições democráticas nesta quarta-feira (7). Durante evento em que formalizou o apoio do Republicanos ao seu nome no segundo turno, o senador utilizou uma retórica perigosa para justificar intervenções diretas no Poder Judiciário e alterações constitucionais que afrontam o equilíbrio dos Poderes.
Ao questionar a plenitude da democracia brasileira e atacar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar sinaliza uma postura abertamente antidemocrática. Sob a justificativa de alinhar a Carta Magna à nova composição de centro-direita do Congresso — que assume em janeiro —, Flávio defende o uso da maioria legislativa para alterar a Constituição e impor reformas no Judiciário, além de pautas controversas como a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.
A fala do candidato acendeu alertas na imprensa e na sociedade civil sobre o risco de aparelhamento institucional e retrocesso garantista. Mais cedo, Flávio já havia admitido a intenção de reformar o STF e utilizar Propostas de Emenda à Constituição (PECs) para moldar o Estado ao seu perfil ideológico. As declarações ocorrem em sequência a afirmativas feitas ao lado do ex-candidato Ronaldo Caiado (PSD), em Goiânia, nas quais antecipava o desejo de mudar o texto constitucional valendo-se do resultado das urnas.
Ao classificar como "redemocratização" o enfraquecimento do STF e a relativização de garantias constitucionais, o discurso bolsonarista subverte o conceito de democracia, transformando a vitória eleitoral em um salvo-conduto autoritário para subjugar o Judiciário e alterar as regras do jogo democrático.

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