Adiado para 2027, “Dark Horse” deixa rastro de cifrões sem explicação e avança sob a sombra da PF

 

Foto: Reprodução

A cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse, só deve desembarcar nos cinemas brasileiros em 2027. Oficialmente, a distribuidora Europa Filmes alega pendências burocráticas com a Ancine, trâmites de classificação indicativa e a necessidade de dublagem do elenco norte-americano, liderado por Jim Caviezel. A estratégia declarada de segurar o trailer até o fim da eleição busca evitar atritos na Justiça Eleitoral. O grande problema, porém, não é a demora para chegar às telas, mas a completa falta de transparência sobre como e por que o projeto custou tanto.

Orçado na bagatela de R$ 75 milhões — valor surreal para os padrões do audiovisual no país —, o longa virou peça central de investigações da Polícia Federal sobre um intricado enredo financeiro. Chama a atenção como as projeções de arrecadação apresentadas pelos idealizadores miravam até US$ 100 milhões, número mais de três vezes superior ao maior sucesso da história da bilheteria nacional, o que fez os próprios investigadores classificarem as estimativas como fora da realidade do mercado.

Para além da conta inflada, a verdadeira caixa-preta está na origem e no destino da verba. Relatórios apontam que mais de 70% das despesas declaradas teriam sido realizadas no exterior, incluindo remessas enviadas a um fundo americano que permaneceu inativo por anos até a produção começar. A recusa da produtora em fornecer espontaneamente a documentação bancária americana e a omissão na identificação de todos os investidores envolvidos reforçam os questionamentos que os envolvidos insistem em não responder de forma clara.

A apuração sobre diálogos do senador Flávio Bolsonaro cobrando repasses milionários e a suspeita de desvio de emendas parlamentares só ampliam as dúvidas que cercam a obra. Enquanto a distribuição vende o adiamento como mero ajuste de cronograma e estratégia comercial, o público e as autoridades continuam sem a resposta mais básica e fundamental: afinal, de onde veio todo esse dinheiro e por que uma produção sobre a política brasileira custou uma fortuna justificável apenas em orçamentos milionários de Hollywood?

Para acompanhar os desdobramentos sobre a investigação da Polícia Federal em torno dos custos do longa, assista aos detalhes divulgados no canal gastos de Dark Horse chegaram a R$ 20,9 milhões. O vídeo traz o panorama dos relatórios de prestação de contas que colocaram o orçamento da cinebiografia sob suspeita.

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