A cantora, atriz e multiartista RENNA levou ao palco País da Música - Som na Rural, em Buíque, no último dia 22, o show “SER TÃO CYGANA”, dentro da programação do Festival Pernambuco Meu País. Moradora de Buíque e natural de Santa Catarina, a artista transformou a apresentação em um encontro entre música, poesia, performance e cultura popular.
Com músicas autorais e versões de canções de compositoras brasileiras, RENNA contou de forma poética a sua trajetória a partir de temas como corpo, identidade, gênero, território e pertencimento. No palco, a artista esteve acompanhada por uma banda formada exclusivamente por mulheres: DJ Synesthezk, a percussionista Marilhona e a guitarrista Cintia Gondim, reunindo diferentes experiências e mulheridades na música.
Para RENNA, apresentar o espetáculo em Buíque teve um significado especial, principalmente pela diversidade do público que acompanhou a apresentação.
“Eu amei a diversidade do público que assistiu ao show: de crianças a famílias, pessoas mais velhas, bêbados e cachorros”, brinca a artista. “Sou uma artista que também é brincante da cultura popular. Então, embora esse trabalho seja mais experimental, foi uma experiência única dialogar com diferentes pessoas. Saio com a missão cumprida”, completa.
A apresentação também marcou a estreia ao vivo de duas músicas recentes da artista. RENNA foi uma das cinco selecionadas pela Incubadora Musical do Coquetel Molotov, em Pernambuco, onde gravou “RACHA MAMA”, lançada em 2026 e produzida por IDLibra. Ela também participou do projeto “Conexões Cordilheira”, que resultou na faixa “Prazeres”, produzida por Chant e Matheus Bezerra.
“Foi a primeira vez que apresentei essas músicas ao vivo, e a recepção foi calorosa”, conta RENNA.
Arte, ancestralidade e representatividade
“SER TÃO CYGANA” é um trabalho que coloca no centro da cena corpos e histórias que, durante muito tempo, foram afastados dos grandes espaços da cultura. A partir de uma linguagem que mistura experimentação, ancestralidade e referências da cultura popular, RENNA constrói um espetáculo sobre viver em um território e sobre encontrar caminhos de pertencimento.
A trajetória do projeto começou em 2018, quando RENNA foi uma das seis artistas selecionadas para o Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras, em Olinda, dando início ao show autoral “SER TÃO CYGANA”.
Desde então, o espetáculo passou por diferentes cidades e espaços de Pernambuco, integrando eventos como o São João de Arcoverde, Festival Pré-AMP, Studio Tear Online, Festival Sertão Alternativo, Festival Janeiro Sem Censura, Mostra Marcos Freitas: Território das Artes, realizada pelo Sesc Garanhuns, I Festival Dona Marias, do Sesc Triunfo, e 4º Festival Rosa dos Ventres, no Recife. Em 2023, RENNA também apresentou o trabalho em Florianópolis (SC), no espaço cultural Buggio.
A artista ainda participou dos shows “Almério & Elas”, realizados em 2021 e 2022 no Teatro do Parque, no Recife.
Outro destaque de sua trajetória é o videoclipe “Lamento de Força Travesti”, que conquistou 11 prêmios e circulou por mais de 50 mostras e festivais nacionais, ampliando a presença de RENNA no cenário da arte contemporânea brasileira.
Com “SER TÃO CYGANA”, RENNA segue aproximando experimentação artística e cultura popular, criando espaços para que diferentes corpos, histórias e formas de existir também possam ocupar o palco e ser ouvidos.
Ficha técnica
Banda: DJ Synesthezk, Marilhona e Cintía Gondim
Figurino: Yuriel Santos
Técnico de som: Ed.wav
Roadie: Joãozinho
Produção: Diega Mil
Fotos: Saulo Santiago
Vídeos: Paiva Fausto e Diega Mil
Realização: AMAPÔ Produtora Cultural
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