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Flávio José anuncia shows na Bahia foram cancelados por que Ministério Público resolveu diminuir seu cachê.


O cantor Flávio José anunciou, por meio de suas redes sociais, que não deverá participar dos festejos juninos na Bahia neste ano. Segundo o artista, a decisão está relacionada à redução de seu cachê após discussões envolvendo o Ministério Público da Bahia (MP-BA) sobre os valores pagos às atrações do São João.

Em sua manifestação, o forrozeiro demonstrou insatisfação com a medida e classificou a situação como um desrespeito à sua trajetória artística. Ele afirmou ainda que, enquanto alguns artistas sem forte ligação com o forró estariam recebendo valores elevados, seu cachê teria sido revisto para baixo às vésperas das festas.


“Por esse motivo, não irei à Bahia este ano”, declarou o cantor. Flávio José também relatou que chegou a recusar apresentações em outros estados para priorizar a agenda junina na Bahia, mas acabou sendo surpreendido com a readequação contratual.

O artista afirmou que a decisão deve atingir cerca de 15 prefeituras baianas, incluindo uma das cidades mais tradicionais dos festejos juninos.

Até o momento, as prefeituras citadas não se pronunciaram oficialmente sobre possíveis cancelamentos.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) se manifestou nesta quarta-feira (3) sobre o cancelamento das apresentações de Flávio José.

"Nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil", informou o órgão.

Por isso, o MP-BA encaminhou recomendações aos municípios para que adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela instituição e pelos Tribunais de Contas, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O objetivo, segundo o Ministério Público, é evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos.

"Até o momento, foram enviadas recomendações a mais de 100 municípios, incluindo aqueles que anunciaram contratações do artista Flávio José pelo valor de R$ 350 mil, representando um aumento de R$ 100 mil em relação ao ano passado."

"As recomendações buscam a adequação dos contratos às orientações técnicas dos órgãos de controle, construídas a pedido dos próprios gestores municipais, por meio da União dos Municípios da Bahia (UPB)", informou a assessoria, em nota.

O MP-BA também destacou que seus critérios consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios, desde que haja fundamentação técnica para os valores contratados.

Falando Francamente

Um São João em que Flávio José não possui notoriedade e relevância suficientes para justificar um cachê de R$ 350 mil é um São João que precisa ser repensado.

O cantor é, e sempre será, um dos maiores ícones da cultura junina nordestina. Sua trajetória artística ajudou a construir a identidade do São João e a manter viva uma tradição que atravessa gerações.

O Ministério Público precisa rever seus parâmetros e compreender que notoriedade e relevância dentro do ciclo junino não podem ser medidas apenas pelos números do mercado atual. Há artistas cuja importância transcende o sucesso momentâneo, pois representam a própria essência da festa.

São eles que ajudaram a consolidar o São João como patrimônio cultural do Nordeste. Enquanto isso, artistas sem qualquer ligação com a tradição junina vêm ocupando espaço cada vez maior nas programações, contribuindo para um processo de descaracterização que preocupa defensores da cultura popular em todo o país.

A Constituição Federal estabelece que é dever do poder público proteger e promover o patrimônio cultural brasileiro. Se os municípios deixam de cumprir esse papel, quem assumirá essa responsabilidade?

Se aqueles que deveriam preservar as tradições acabam contribuindo para seu enfraquecimento, não deveria ser justamente o Ministério Público um dos principais agentes na defesa e salvaguarda da cultura popular nordestina?

Amannda Oliveira

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