domingo, 25 de novembro de 2012

Pernambuco perto de zerar a fila de transplante de córnea

Pernambuco conseguiu, em 2012, um aumento de 70% nos transplantes de córneas, tradicionalmente responsáveis pela maior fila de espera por órgãos e tecidos. Este ano, foram feitos 893 transplantes deste tipo, contra 522 no mesmo período do ano passado. Com o aumento das dações e um mutirão para atualização dos dados dos receptores em fila, a espera, que já chegou a mil pacientes aptos ao procedimento, caiu para apenas 14 pessoas, que serão operadas esta semana, zerando uma fila histórica.
 
“Esse resultado é fruto de um grande esforço por parte das dez comissões intra-hospitalares de transplantes, dos 12 serviços transplantadores de córnea do Estado e também das campanhas que realizamos ao longo do ano para conscientizar a população sobre o ato da doação. A córnea é responsável por 30% da visão e ter possibilitado o retorno desse importante sentido a quase 900 pessoas, a maioria com anomalias corneanas, ceratocone (que causa perda total da visão), infecções ou perfurações do globo ocular, é um fato a ser celebrado por todos os pernambucanos”, avaliou o secretário estadual de saúde, Antonio Carlos Figueira.

A preocupação da Secretaria Estadual de Saúde, agora, é localizar 168 pacientes que constam na fila de espera por córnea, mas, devido a mudanças de endereços e fones, não foram localizados pela Central de Transplantes. “Fizemos um mutirão, este ano, para localizar e atualizar os dados de possíveis receptores de córnea, mas esses pacientes não foram encontrados. Precisamos saber se eles ainda têm a indicação do procedimento, se estão com todos os exames em dia e clinicamente em condições de operar. Temos um banco com trinta córneas disponíveis para transplantes e, caso não os encontremos, cederemos as córneas captadas a outros estados, como aconteceu este mês, quando mandamos quatro córneas para a Bahia e duas para o Maranhão”, explica Figueira.
A orientação da Central de Transplantes é que, quem teve a indicação do transplante mas ainda não foi contatado este ano, deve procurar imediatamente o centro de referência em que foi atendido (pelo SUS, são a Fundação Altino Ventura, policlínica Ermírio de Moraes, Imip, Hospital das Clínicas, Instituto de Olhos do Vale do São Francisco, Centro de Olhos de Caruaru e Hospital Santa Luzia) ou ligar para o número gratuito da central (0800 281-2185).

REFORÇO DAS UPAS – desde julho, as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) estão colaborando com a causa da doação. Profissionais de saúde dessas unidades foram capacitados para conversar com os familiares de pacientes e também para saber como agir da forma mais rápida e eficiente caso um familiar autorize a captação.  Ao todo, sete transplantes foram feitos a partir de chamados das UPAs, sendo seis da unidade do Cabo e uma da de Barra de Jangada.

DADOS GERAIS E PASSO A PASSO DA DOAÇÃO – Atualmente, em todo o Estado, há 2.634 pacientes esperando por um órgão, incluindo rim, pâncreas, córnea, coração, fígado, medula óssea e córnea. O primeiro passo para o transplante deve ser dado pela pessoa que deseja ser doador, ao informar à família sobre sua intenção de doar. No caso de morte encefálica do paciente (o cérebro morre, mas o coração permanece batendo por algumas horas), os parentes devem procurar o médico responsável para expressar o desejo de doação. As equipes de captação de órgãos dos hospitais também conversam com as famílias para sensibilizar sobre a causa. Segundo a legislação de transplantes no Brasil, a doação de órgãos só pode ser feita se um familiar de até segundo grau autorizar.

A partir da assinatura do termo de autorização, a central encaminha o órgão para um receptor compatível obedecendo a ordem da lista única do Estado. A decisão deve ser rápida, para que o transplante seja bem-sucedido. Vale salientar que o corpo do doador não fica mutilado e que a idade não determina se alguém pode ou não ser um doador. “No caso da córnea, as contraindicações são raras e praticamente toda pessoa que falece pode doar suas córneas para quem precisa. E o transplante em si é um procedimento no receptor é simples, feito inclusive ambulatorialmente, com percentual baixíssimo de rejeição do tecido”, explica Noemy Gomes, coordenadora da CT-PE. 

Mais informações sobre transplantes podem ser obtidas pelo telefone 0800.281.2185.

Informações: ASCOM

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