Há cem anos nasceu Zélia Gattai. Escritora, graças a Deus


Apesar de acreditar que não era boa em discursos, Zélia Gattai sabia que, entre os seus dotes, estava o de saber contar histórias. Atividade herdada dos pais, de origem italiana, que proporcionaram, em sua infância e adolescência, momentos, segundo ela, "de maior divertimento" ao ouvir essas narrativas. O gosto pela literatura e a política foram marcantes em sua vida. Paulistana do bairro Paraíso e depois baiana de coração, teve sua vida e imagem associado ao parceiro com quem viveu cerca de meio século, o escritor Jorge Amado. Neste 2 de julho, completam 100 anos do nascimento de Zélia Gattai, que faleceu em 2008.
 
Zélia Gattai começou a escrever apenas depois dos 60 anos. Seu livro de estreia, "Anarquistas, graças a Deus", foi traduzido para vários idiomas e se tornou minissérie de TV na década de 1980.  É autora de onze livros de memórias, três infanto-juvenis e um romance. Em maio de 2002, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira que pertencia ao marido, Jorge Amado, a de número 23.
 
Com a morte de Jorge Amado, em 2001, Zélia resolveu abrir a casa em que viveram juntos,  por 21 anos, em Salvador (BA), para visitação. Em 1986, havia sido criada a Fundação Casa de Jorge Amado, organização não-governamental e sem fins lucrativos de preservação, pesquisa e divulgação dos acervos bibliográficos e artísticos de Jorge Amado. Ao longo dos anos, a fundação foi procurando dar um espaço cada vez maior para as obras e acervos de Zélia Gattai. 
 
Para celebrar o centenário de nascimento da escritora, a fundação conseguiu apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) para reformar a casa que abrigará que o Espaço Zélia Gattai, que fica no espaço contíguo à fundação.
Estimada em R$ 2 milhões, a reforma tem, na sua primeira etapa, o financiamento de R$600 mil do Ministério da Cultura (MinC) e contrapartida de R$ 30 mil da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) executará a fase inicial da reforma, sendo responsável pela licitação, contratação e execução do projeto.
De acordo com a fundação, a reforma permitirá a readequação da casa para exposições e recebimento do acervo que não tinham espaço para serem expostos. 
 
Nessa primeira fase da obra será realizada a infraestrutura elétrica, hidrossanitária e alguns pontos de reforma estrutural e de mobiliário para pavimento térreo, permitindo acessibilidade física ao local. 
 
A casa tem quatro pavimentos, num total de 540 metros quadrados, que abrigará no térreo uma galeria de arte para exposição temporária e permanente do próprio acervo e abrirá espaço para outros artistas. No primeiro andar, haverá um auditório multiuso (de cerca de 70 lugares) e um lugar destinado para permitir ao visitante a experiência de entender como funciona a dinâmica de preservação de acervo, proporcionando aos interessados que, em visitas guiadas, possam conferir o acervo original. Os segundo e terceiro andares terão sala de pesquisa, área técnica e guarda do acervo. No sótão, ficarão as obras mais raras, cujo acesso é dado preferencialmente a pesquisadores e estudiosos.  A expectativa é de que a parte térrea seja aberta à população dentro de um ano. 
 
Por meio do Lei de Incentivo à Cultura, a Rouanet, a fundação conseguiu realizar outros dois projetos recentemente.  Um deles é a digitalização do acervo fotográfico da Fundação Casa de Jorge Amado para serem visualizadas de forma gratuita no site da ONG. Apenas as feitas por Zélia somam cerca de 40 mil fotografias.  O outro projeto é digitalização do banco de dados da fundação, composto por periódicos pertencentes à hemeroteca do acervo do escritor Jorge Amado, que será disponibilizado também pela internet. 

Camila Campanerut 

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