Documentos revelam fundo secreto de US$ 1 milhão dos EUA contra o STF e citam lobby de Eduardo Bolsonaro

 

Imagem: Reprodução

Documentos do governo Donald Trump e do Congresso americano obtidos pelo portal UOL revelam detalhes de um fundo secreto de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) criado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para financiar ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Batizado de “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, o programa teve seus recursos liberados em 30 de setembro, a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, e cita expressamente a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no lobby por sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo os registros oficiais, o projeto visa combater o que classifica como "ativismo judicial e censura", citando ordens da Corte brasileira para remoção de conteúdos em redes sociais que atingiram residentes nos EUA. Os relatórios apontam que Eduardo Bolsonaro, radicado no Texas desde 2025, atuou junto a autoridades norte-americanas para punir ministros do STF na tentativa de favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro. O fundo, que inicialmente previa chamamento público, teve suas regras alteradas para "concorrência restrita", mantendo em sigilo a identidade dos beneficiários sob a justificativa de evitar riscos de processos judiciais e danos diplomáticos.

A revelação do financiamento gerou reação imediata das autoridades brasileiras, levando a Advocacia-Geral da União (AGU) a acionar a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar possível ingerência estrangeira no debate político nacional. O repasse integra um pacote mais amplo do governo americano voltado a pautas conservadoras globais. Procurados pela reportagem, o Departamento de Estado não prestou esclarecimentos e Eduardo Bolsonaro não se manifestou.

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