Arcoverdense Françua Gomes conquista reconhecimento como homenageado do Festival Lula Calixto 2026

 

Fotos: Kaian Alves



Atual mestre do surdo no Samba de Coco, artista e músico do Sertão de Pernambuco recebe, aos 50 anos de idade, a homenagem do Coco Raízes de Arcoverde, onde ele está desde o resgate no ano de 1992 (primeira formação)

François de Souza Silva, conhecido artisticamente como Françua Gomes e reconhecido pela continuidade da levada do surdo (instrumento percussivo), é o homenageado do Festival Lula Calixto 2026, tradicionalmente realizado no Alto do Cruzeiro, no município de Arcoverde. Este ano, ocorre de 09 a 11 de outubro (sexta-feira, sábado e domingo), na rua (gratuito), com a realização do Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

Neste ano de 2026, o artista e músico do Samba de Coco Raízes de Arcoverde — desde o resgate do grupo em 1992, reunindo atuações no ganzá e como dançarino (trupé) antes do próprio surdo — também recebeu uma homenagem do Cordel do Fogo Encantado, banda pernambucana autoral na qual ele está na história por compor a primeira formação no ano de 1997, em Arcoverde. Ele é natural do município de Arcoverde e hoje tem 50 anos de idade, ou seja, cinco décadas de vida. Em 2025, foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira, sendo uma conquista coletiva do Coco Raízes como destaque nacional.

"Comecei no coco ainda criança, aos oito anos de idade. Primeiro, aprendi a dançar com o mestre Lula Calixto e atuei como dançarino, fazendo a pisada do trupé e gravando nos anos 2000 o primeiro disco do Samba de Coco Raízes de Arcoverde, que leva o nome do próprio grupo. Além disso, dancei nos shows e nas apresentações culturais. Em seguida, Mamulengo (músico que foi integrante do Coco Raízes) me ensinou a tocar o ganzá (instrumento percussivo). Com o ganzá, gravei o 'Godê Pavão' em 2003, sendo o segundo disco do Coco Raízes, e toquei diversas vezes no chão e nos palcos da vida", lembra Françua Gomes.

No Samba de Coco Raízes de Arcoverde, o pernambucano Françua é chamado de "coração" justamente pela identidade percussiva do surdo, a partir da originalidade, ritmo, sonoridade e sobretudo por preservar as raízes e origem do grupo autoral do Sertão de Pernambuco. A partir do repasse do mestre vivo arcoverdense Biu Neguinho (96 anos de idade), criador e referência do surdo no samba de coco, Françua mantém viva a tradição, compartilhando saberes, memórias e histórias por meio da arte, cultura, educação, música e vivências. Ele também desfilou na Escola de Samba de Biu Neguinho, em Arcoverde.

"Depois que atuei como dançarino do trupé e toquei o ganzá, segui no Samba de Coco Raízes de Arcoverde e aprendi a levada do surdo (instrumento percussivo) com o mestre Biu Neguinho, que hoje está mais perto de completar 100 anos de idade. Substitui Biu Neguinho no surdo e continuo até então na formação. À frente do surdo, gravei mais dois discos: 'A Caravana Não Morreu' (2012) e 'Cantando Coco' (2024), que é o mais recente lançado pelo grupo. Sendo assim, estou em todos os quatro álbuns do Coco Raízes. Dois no surdo, um no ganzá e o primeiro no trupé (dança)", conta o artista Françua.

Além de musicista, atua como arte-educador realizando diversas atividades formativas, rodas de conversa, oficinas e encontros artístico-culturais, valorizando o pertencimento local, a identidade racial e a classe social.

O seu pai é o mestre Cícero Gomes, chamado de Ciço Gomes, com mais de 70 anos, 50 deles na cultura popular. Ele é o fundador do Samba de Coco Trupé, que existe desde 2009 em Arcoverde, e também um dos responsáveis pelo resgate do Samba de Coco em Arcoverde. Ambos mantêm a existência da cultura de raiz do samba de coco, com o compartilhamento de conhecimentos populares. Françua tem quatro filhos e é avô, já com duas netas.

"Além de Lula Calixto, Mamulengo e Biu Neguinho, uma grande referência da minha carreira artística e musical é o meu pai e mestre arcoverdense Ciço Gomes, que recentemente completou 71 anos de idade, além da minha mãe Dona Maria, que também é uma mestra do município de Arcoverde. Meu pai, em parceria com minha mãe, criou o Coco Trupé de Arcoverde, que está em atividade há mais de 15 anos. Meu filho Bruno César, minha filha Bruna Souza, meu irmão Valete Gomes e minhas sobrinhas Maria Heloísa e Laura Sofia, ambas filha de Valete, por exemplo, estão na formação do Coco Trupé de Arcoverde. Inclusive, o grupo foi pela primeira vez para Belo Horizonte/MG no mês de agosto deste ano", declara Françua Gomes.

Com o Coco Raízes, por exemplo, o artista Françua contribui coletivamente nas performances ao vivo, nas atividades de formação, nas gravações de álbuns, músicas e audiovisual, shows e muito mais. Ele leva Arcoverde, o Sertão de Pernambuco e a representatividade do interior do estado pelas próprias regiões locais, diversos estados do Brasil e mundo afora. Nacionalmente, reúne experiências por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Ceará, Paraíba, Alagoas, Maranhão etc.

Há exatamente 20 anos, Françua fez a primeira turnê internacional com o Coco Raízes de Arcoverde pela Europa, chegando a países como Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Itália e Noruega. No continente europeu, houve apresentações ao vivo e oficinas juntamente com o grupo.

Dentro da própria cidade de Arcoverde e dos municípios vizinhos, ele soma como musicista da região com uma diversidade de artistas e grupos, sobretudo do forró, xote, baião e outros ritmos populares.

Françua também tem atuações até hoje com produção de shows e festividades, realizando montagem e desmontagem de palco e assistência, além de mais trabalhos técnicos de maneira independente. Ele dialoga com espaços profissionais conquistados em circuitos do Sesc e de editais públicos.


Música, cinema e teatro

Nos anos 90, ele tocou triângulo e zabumba com a banda Casaca de Couro (forró pé de serra), formada por Lirinha, Clayton Barros, Zé do Peba e Alberone Padilha. Até hoje, o artista participa de desfiles com a Banda Colégio Diocesano Cardeal, de Arcoverde, como fuzileiro, além de tocar caixa no Maracatu Batuque do Sertão de Arcoverde e no Mistura de Raça.

No audiovisual, Françua está no elenco do filme “Re Te Tei” (2026), obra de cinema com produção arcoverdense, da categoria infantil/ infanto-juvenil, e inspirada no espetáculo de mamulengos da Tropa do Balacobaco (Arcoverde).


Dança

Vale lembrar que no ano de 2024, em Arcoverde, o artista Clayton Barros, violonista do Cordel do Fogo Encantado, fez uma homenagem ao Samba de Coco com a presença de Françua Gomes, que foi ao palco como convidado para dançar o trupé durante o projeto solo de Clayton, juntamente com uma banda na apresentação ao vivo.

Postar um comentário

0 Comentários