Mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no último domingo (4). O índice de abstenção atingiu 21,08% do eleitorado nacional — o maior percentual registrado em uma primeira etapa de eleição geral desde 1998, quando a taxa alcançou 21,49%. O volume de ausências representa um acréscimo de cerca de 700 mil eleitores em relação ao pleito de 2022 (20,95%), consolidação de uma trajetória ascendente contínua que vem sendo observada desde 2014, quando a não participação era de 19,39%. Dos quase 159 milhões de cidadãos aptos a votar este ano, aproximadamente 125 milhões exerceram o direito de escolha.
Analisando o cenário, o cientista político Hely Ferreira avaliou ao Diário de Pernambuco que o avanço do não comparecimento está atrelado ao desgaste de parte da população com a intensa polarização política e à percepção de falta de uma alternativa competitiva fora dos polos majoritários da disputa presidencial. O especialista acrescentou que os pleitos nacionais costumam registrar dinâmica distinta das disputas municipais, nas quais o contato direto e a proximidade com candidatos a prefeito e vereador tendem a gerar um engajamento local mais expressivo do eleitorado.
Diante desse cenário, a fatia de mais de 33 milhões de ausentes desponta como um ativo estratégico decisivo para a definição do segundo turno presidencial, agendado para o dia 25 de outubro. A Justiça Eleitoral reforça que os cidadãos que não votaram no primeiro turno permanecem plenamente aptos a votar no segundo, desde que estejam com a situação eleitoral regular. Por se tratarem de votações independentes, não há necessidade de justificativa prévia para participar do próximo pleito — sendo estabelecido o prazo até 3 de dezembro para a regularização da ausência relativa ao dia 4 de outubro.
No contexto regional de Pernambuco, mais de 1,3 milhão de eleitores abstiveram-se de votar no primeiro turno. A despeito do índice de não comparecimento, a definição para o Poder Executivo estadual foi liquidada ainda na primeira etapa com a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), que garantiu a recondução ao cargo ao obter 53,27% dos votos válidos
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