Dia Nacional do Frevo celebra ritmo que traduz a força e a identidade de Pernambuco

Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, manifestação reúne música, dança, história e resistência popular


Imagem : Blog Falando Francamente 

O som dos metais, o colorido das sombrinhas e a agilidade dos passistas ganham uma celebração especial nesta segunda-feira, 14 de setembro, Dia Nacional do Frevo. Mais do que um ritmo associado ao Carnaval, o frevo representa a criatividade, a resistência e a identidade cultural do povo pernambucano.

A data nacional homenageia o nascimento do jornalista Osvaldo Almeida, ligado à consolidação do nome “frevo” na imprensa. A expressão tem origem na forma popular de pronunciar a palavra “ferver”, utilizada para descrever a intensa movimentação das multidões durante as festas carnavalescas.

Nascido entre o final do século XIX e o início do século XX nas ruas do Recife e de Olinda, o frevo surgiu em um período de transformações sociais. Sua formação recebeu influências das marchas, dobrados, polcas e do repertório das bandas militares.

A dança desenvolveu-se a partir da ginga e dos movimentos dos capoeiristas que acompanhavam e protegiam as bandas durante os cortejos. Com o passar dos anos, esses movimentos foram transformados e recriados pelos passistas, originando um amplo conjunto de passos marcados pela força, pela agilidade e pela improvisação.

A pequena sombrinha colorida, atualmente um dos principais símbolos do frevo, também passou por transformações. Utilizada inicialmente como forma de proteção e equilíbrio, ela ganhou novas cores e tornou-se parte inseparável da dança e da identidade visual da manifestação.

Patrimônio do Brasil e da humanidade

Em 2007, o frevo foi inscrito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Livro de Registro das Formas de Expressão, tornando-se Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em 2012, recebeu o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A manifestação possui três modalidades musicais principais. O frevo de rua é essencialmente instrumental e marcado pela intensidade das orquestras. O frevo-canção acrescenta letras à composição, enquanto o frevo de bloco apresenta uma sonoridade mais lírica, tradicionalmente acompanhada por instrumentos de corda e coros.

Ao longo de sua história, o gênero revelou e recebeu contribuições de compositores, maestros, intérpretes e passistas que ajudaram a levar a música pernambucana para diferentes partes do Brasil e do mundo.

Frevo também vive no interior

Embora tenha suas raízes profundamente ligadas ao Recife e a Olinda, o frevo ultrapassou as fronteiras da Região Metropolitana e conquistou espaço no Agreste e no Sertão. No interior, orquestras, filarmônicas, blocos, troças, escolas e grupos culturais mantêm o ritmo presente nos carnavais e em diferentes atividades de formação artística.

Em Bezerros, ele se encontra com a tradição dos Papangus, os famosos mascarados que ocupam as ruas durante o Carnaval. Música, máscaras, fantasias, irreverência e memória popular formam uma celebração única.

Em Arcoverde, a data também chama atenção para o trabalho de interiorização dessa manifestação cultural. A cidade realiza o Festival Frevo Sertão, iniciativa que valoriza compositores, músicos e intérpretes, estimula a criação de novas obras e fortalece a presença do gênero no interior de Pernambuco.

A segunda edição do festival terá sua etapa final realizada no próximo dia 26 de setembro, em Arcoverde. Ao todo, 12 composições foram selecionadas para a final, reafirmando o município como espaço de produção, circulação e renovação da música pernambucana.

Realizado pelo COCAR – Coletivo Cultural de Arcoverde, o Festival Frevo Sertão contribui para aproximar o gênero das novas gerações e mostra que o frevo continua vivo para além dos circuitos tradicionais do Recife e de Olinda.

É um patrimônio que circula por Pernambuco sem perder suas raízes e cada cidade acrescenta sua identidade tornando o frevo ainda mais rico. 

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