Quellny Lima representa Afogados da Ingazeira no Festival Mês da Fotografia com obra que resgata a tradição dos tabaqueiros do Pajeú.
BRASÍLIA – O Museu Nacional da República, em Brasília, recebe entre os dias 5 de agosto e 4 de outubro uma obra que carrega a identidade e a força da cultura do Sertão de Pernambuco. O multiartista independente Quellny Lima, natural de Afogados da Ingazeira, foi selecionado para expor no renomado Festival Mês da Fotografia. Ele concorre na categoria “Jovem Fotógrafo”, que este ano traz o tema “Retratos de um Brasil plural: origem, território e diversidade”.
A fotografia selecionada registra a figura emblemática do tabaqueiro tradicional, personagem central do Carnaval do Sertão do Pajeú. Na imagem, quem dá vida à manifestação cultural é o também multiartista Caffé (@luciiovinicius), que perpetua a tradição de “correr tabaqueiro” na região.
O movimento dos tabaqueiros surgiu entre as décadas de 1980 e 1990. No período pré-carnavalesco, os moradores iam até as margens do Rio Pajeú para moldar, com barro e lama, as máscaras usadas para ocultar suas identidades.
"A graça da brincadeira é essa: ninguém pode te reconhecer. A gente muda a voz, o jeito de andar, coloca enchimento no corpo. É uma transformação completa", explica Caffé. "O tabaqueiro é uma figura provocativa. Ele brinca, assusta, provoca, mas também cria vínculo com a comunidade", destaca o artista retratado.
Identidade e (R)existência
Fotógrafo profissional desde 2023, Quellny Lima traz em sua trajetória a vivência como artista trans sertanejo. Com experiência em audiovisual, autorretratos, ensaios artísticos e eventos culturais, Quellny define seu trabalho como uma ferramenta política e social. Para o fotógrafo, a arte é uma forma de (r)existir na sociedade — conceito que orienta seu olhar sensível e se materializa na conexão profunda entre imagem, tradição e território.
Fotógrafo profissional desde 2023, Quellny Lima traz em sua trajetória a vivência como artista trans sertanejo. Com experiência em audiovisual, autorretratos, ensaios artísticos e eventos culturais, Quellny define seu trabalho como uma ferramenta política e social. Para o fotógrafo, a arte é uma forma de (r)existir na sociedade — conceito que orienta seu olhar sensível e se materializa na conexão profunda entre imagem, tradição e território.
Agora, o registro dessa manifestação cultural do interior de Pernambuco divide espaço com obras de fotógrafos de todo o país, consolidando a pluralidade e a descentralização da arte nordestina na capital federal.
Amannda Oliveira


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