A participação do Movimento Amigos do
Cinema Rio Branco na Caminhada do Forró foi, acima de tudo, um ato de
resistência e de compromisso com a memória cultural de Arcoverde. Em meio à
celebração de uma das mais importantes manifestações populares do nosso
município, levamos às ruas uma mensagem clara: não há verdadeira valorização da
cultura sem a preservação do nosso patrimônio histórico. O Cinema Rio Branco,
durante décadas, foi um espaço de encontro, arte, educação e convivência. Faz
parte da identidade do povo arcoverdense e da memória afetiva de inúmeras
famílias. No entanto, sua situação atual nos impõe uma reflexão urgente:
quantos patrimônios ainda precisarão ser esquecidos antes que compreendamos o
valor da nossa própria história?
Nossa presença na caminhada foi também um
chamado à conscientização e à mobilização popular. Não podemos aceitar que um
equipamento cultural tão significativo permaneça distante das prioridades das
políticas públicas. Defender o Cinema Rio Branco é defender o direito à
memória, à cultura e ao acesso aos bens culturais que pertencem a toda a
sociedade. Enquanto celebrávamos o forró, expressão maior da nossa identidade
nordestina, lembrávamos que a cultura não se limita às festas e aos eventos.
Cultura também é preservar os espaços que contam a nossa trajetória, que
guardam nossas lembranças e que ajudam a construir o sentimento de
pertencimento de um povo.
O Movimento Amigos do Cinema Rio Branco
segue firme em sua luta, acreditando que a transformação acontece quando a
sociedade se organiza, ocupa os espaços públicos e faz ecoar suas
reivindicações. Nossa caminhada foi um gesto de esperança, mas também de
cobrança e de resistência. Não queremos apenas recordar o Cinema Rio Branco;
queremos vê-lo vivo novamente, restaurado, ocupado pela arte, pelo cinema, pelo
teatro, pela música e pela comunidade. Queremos que as futuras gerações tenham
a oportunidade de conhecer e vivenciar esse patrimônio que marcou a história de
Arcoverde. Por isso, continuaremos caminhando, mobilizando, dialogando e
resistindo. Porque um povo que abandona sua memória enfraquece sua identidade.
E um povo que luta por seu patrimônio cultural reafirma seu compromisso com o
passado, o presente e o futuro.
Informações : Adriele Barbosa

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