quarta-feira, 29 de maio de 2019

Prefeitura do Recife homenageia Nando Cordel e Zédantas no São João 2019

                                                Foto: Andréa Rêgo Barros
O São João do Recife em 2019 celebrará o cantor e compositor Nando Cordel e o compositor Zédantas, parceiro de Luiz Gonzaga. O prefeito Geraldo Julio recebeu na tarde desta quarta-feira (29) Nando e a sobrinha de Zédantas, Kátia Dantas, para comunicar pessoalmente sobre a homenagem aos artistas. Geraldo destacou o valor da cultura popular e da tradição mantida pelos músicos como fatores que impulsionaram a homenagem.
Durante a homenagem, o prefeito Geraldo Julio ressaltou que o mote do ciclo junino este ano é o São João da Paz. "Escolhemos como homenageados Nando Cordel e Zédantas, grande parceiro de Luiz Gonzaga, porque a gente tem certeza que todo mundo adora Nando Cordel e as músicas compostas por Zédantas e Luiz Gonzaga, que exaltam tanto a nossa tradição, quanto a nossa história e cultura", afirmou o prefeito.
Geraldo destacou ainda a geração de renda no período junino, incentivado com a festa que acontece na cidade. "São João é também uma boa oportunidade para trabalhar e muitas pessoas esperam este período para conseguir uma renda extra, por isso a importância da festa na nossa cidade", acrescentou o prefeito.
O cantor e compositor Nando Cordel não escondeu a emoção ao receber a homenagem. Pego de surpresa, ele se disse muito honrado e feliz com o gesto. "A expectativa para o São João este ano é grande demais. É uma felicidade poder cantar para tanta gente", contou.
Ele destacou ainda a importância do tema escolhido para o ciclo junino este ano. "Minha vida inteira, eu luto por um mundo melhor, com mais educação e paz. E, a medida que você dá muita educação, você mobiliza uma rede de paz, então você tocar nesse assunto no São João é o momento de divulgar ainda mais a causa e mostrar que o São João sempre foi uma festa pacífica", acrescentou.
Sobrinha de Zédantas, Kátia de Sousa Dantas Simões Pires representou o tio na homenagem. "A família ficou muito honrada e eu agradeço imensamente essa homenagem, porque o São João é, realmente, um marco nos festejos da cidade. Fico feliz porque, apesar dele ter falecido há mais de 55 anos, as músicas dele são sempre lembradas nas vozes de grande cantores", comemorou.
Perfil dos homenageados
Nando Cordel

Natural de Ipojuca, Fernando Manoel Correia é o mais velho de 14 irmãos, nascidos do encontro entre uma dona de casa e um comerciante, que era poeta e repentista nas horas vagas. Logo cedo, descobriu que havia herdado do pai o gosto pela música e pela poesia. E, contrariando as expectativas da família, teve coragem para transformar prazer em ofício.

Aos 17 anos, já tocava violão e cantava, pelejando em cima dos palcos. Embaixo deles, era também compositor, incansável e certeiro. De tão boas, suas letras não demoraram a sagrá-lo Nando Cordel, nome artístico que ele mesmo escolheu, juntando um pedaço de cada um de seus sobrenomes e ainda celebrando a literatura cordelista, tão cara aos nordestinos.
Não demorou e ele foi parar na trilha sonora de várias novelas e acabou tendo mais de 1500 músicas gravadas por artistas famosos, como Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Elba Ramalho, Chico Buarque e Maria Bethânia, Amelinha, Fagner, Fafá de Belém e até Xuxa Meneguel.
Mais que alegria, Nando sempre fez questão de semear paz e futuros para quem, como ele, nasceu sem perspectivas de vida. É fundador da instituição Lar do Amanhã, que desde 1996 já atendeu mais de 2,5 mil famílias do Cabo de Santo Agostinho, e também dedica parte de sua obra à música instrumental e espiritual, para relaxamento e meditação.
Correu mundo e meio. Já teve músicas lançadas na Bélgica, Suíça, Espanha, Alemanha, França, Colômbia, Peru, Canadá e Estados Unidos, mas sempre volta para casa, onde seu coração pulsa junino, na cadência da sanfona.
Zédantas
Um dos mais antigos e fiéis sinônimos que o forró ganhou no Nordeste, Zé Dantas nasceu José de Sousa Dantas Filho, no município de Carnaíba de Flores, no Sertão do Alto Pajeú pernambucano. Aos nove anos, mudou-se para o Recife, onde cursou medicina, sem nunca deixar de manter contato com as mais diversas manifestações culturais populares do interior de Pernambuco.
Pouco a pouco, inicia o registro de relatos orais, poemas e toadas cantadas pelos vaqueiros. Até que decide ele mesmo cantar as dores e belezas sertanejas, aprendendo sozinho a tocar violão e começando a compor.
A fome junta com a vontade de comer quando ele conhece Luiz Gonzaga, famoso representante das causas e causos nordestinos, e os dois começam a compor juntos, fazendo nascer clássicos como Vem Morena, Forró de Mané Vito, Sabiá, Riacho do Navio e Xote das Meninas.
Depois de formado, Zédantas acaba se mudando para o Rio de Janeiro, onde, já parceiro famoso do ainda mais famoso Rei do Baião, começa a apresentar programas de rádio, entre eles No Mundo do Baião, transmitido dos estúdios da Rádio Nacional, onde contava histórias e imitava personagens típicos do Nordeste.
Zédantas morre em 1962, sem nunca ter abandonado o Nordeste na sua obra e nem na geografia do seu afeto, tendo chegado a usar suas músicas para fazer denúncias contra a seca e a falta de atenção política à dureza das vidas privadas de água.
Teve suas composições gravadas por muitas gerações de artistas, como Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Gal Costa, Maria Bethânia, Alceu Valença, Quinteto Violado, Marisa Monte e Gilberto Gil. E segue vivo até hoje nos corações e arraiais nordestinos, imortalizado em cada par de pés que se arrastam atendendo ao irresistível convite do baião.
ASCOM/PCR

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