terça-feira, 18 de setembro de 2018

Dirimbó volta a pegar estrada para encerrar com chave de ouro a Deixar Tour Loks


Quando os integrantes da Dirimbó lançaram em julho do ano passado o seu segundo EP, o Deixar Tu Loks (2017), nenhum deles imaginou que iria viajar por tantos cantos do Brasil com uma banda independente nem que a aceitação da mistura entre a música pernambucana e paraense pelo público fosse tão grande.

Mas o fruto de um trabalho de três anos tornou possível uma turnê batizada de Deixar Tour Loks e que fez a banda seguir em pouco mais de um ano por 16 cidades e realizar 25 shows país afora – em eventos importantes, como a Lambateria, no Pará, e o Circuito SESC de São Paulo. Agora, a turnê chega aos seus momentos finais com, até agora, quatro datas marcadas: Recife (22/09)Maceió (5/10)Belém (11/10) e Fortaleza (13/10), além de um possível volta a São Paulo em dezembro deste ano dentro do Circuito SESC.

Para Mário Zappa, baixista da Dirimbó e único paraense do grupo (todos os outros músicos são do Recife), o encerramento da Deixar Tour Loks tem um tempero especial, uma espécie de mistura de especiarias de Pernambuco e do Pará. “Primeiro porque temos esse show no Recife, cidade que me acolheu com muito amor, no próximo dia 22 de setembro, no Meca Brennnand, ao lado de nomes como Mundo Livre AS e Barro. Em seguida, viajaremos pra Maceió, no dia 5 de outubro, pra tocar com a galera do Temperados e visitar mais uma vez a primeira capital que tocamos fora do Recife quando começamos essa turnê no ano passado”.

“Na sequência pegamos o carro e vamos comer estrada até a minha terra-natal, Belém, onde participaremos no dia 11 de outubro do Festival Lambateria, ao lado de nomes como A Banda Filhos do Mestre Vieira, Félix Robatto e seu Conjunto, Lia Sophia, Pinduca e Gaby Amarantos. Vai ser um momento importante voltar pro Pará com toda essa carga musical que acumulamos e colher lá mais influências. Como se não bastasse, fechando com chave de ouro, seguimos pra Fortaleza, no dia 13 de outubro, e abriremos para ninguém menos que o Mestre Aldo Sena, nosso ídolo”, celebra o baixista.

Considerado um dos tutores da Dirimbó pelos próprios integrantes, o músico paraense Félix Robatto foi e é uma referência para o grupo desde o começo da banda. A parceria teve início em 2015, quando Félix veio participar do Porto Musical e os meninos foram atrás do guitarrista pra dizer que eram seus fãs e que queriam aprender com ele. O resultado foi uma semana de troca intensa, de muitos ensaios, cervejas e conversas, que teve ainda como consequência uma live session (ainda com a primeira formação da Dirimbó) gravada na AESO, além de uma aproximação afetiva muito forte.

Ao lembrar-se do show da Dirimbó realizado em janeiro deste ano na Lambateria, a festa mais conhecida de Belém quando o assunto é dançar carimbó e guitarrada, Félix fala com entusiasmo sobre o que pra ele foi um dos melhores shows que viu naquele palco. “A gente aqui recebe sempre muitas atrações boas, nomes de peso, mas é muito interessante ver uma galera do Recife interessada em conhecer, misturar e tocar do seu jeito a música paraense”. Confira como foi aqui.

"Quando gravei com eles em 2015 pude conhecer melhor a galera e vi que não se tratava apenas de uma banda querendo tocar as coisas dançantes do Norte do país, mas jovens que pesquisaram, que sabiam o que estavam fazendo e que queria misturar nossa cultura com a cultura deles. E o grande barato é esse. Uma galera de Pernambuco, mesmo com um paraense no meio, que mistura a nossa música com a pernambucana, e mistura muito bem, por sinal, transformando em uma coisa única, exclusiva. Sem falar do teor das letras, que acho bem divertido e gosto muito particularmente e tem muito a ver com essa pegada simpática que tem a nossa música", opina Félix Robatto.

"E isso vai se repetir agora no Festival Lambateria no Círio ano 2, e vai ser bacana porque a galera vai poder perceber como é a nossa música misturada com outros sons. Perceber que a sonoridade do Pará combina com tudo, e que os meninos da Dirimbó fazem esse intercâmbio muito bem.  Não foi à toa que os colocamos na programação do  no melhor horário da noite da quinta-feira (11)”, aposta o músico, que também convidou este ano a Dirimbó para participar com uma música inédita (a faixa Lambada do Mermão) na Coletânea do Clube da Guitarrada – que terá a participação de vários outros grupos e mestres da guitarrada.

O show em Fortaleza, no dia 13 de outubro, vai marcar a volta da banda na capital cearense e a primeira vez que o grupo se apresenta ao lado do Mestre Aldo Sena. Mas tudo isso está sendo possível porque, lá atrás, o músico Thales Aurélio, que participou da produção do Na Maior Catiguria - evento que levou a Dirimbó em maio para a capital cearense - conheceu a Dirimbó através do Spotify durante uma pesquisa sobre música brasileira que fazia. “A primeira música que eu ouvi foi a Selfie e a na hora eu curti muito a letra, vi que ela se encaixava muito na minha vibe, tanto de discotecar como tocar também”.

“Depois quando eu estava preparando um repertório pra DuBaile, acabei escutando mais as músicas da Dirimbó, e foi ai que a gente colocou a faixa Deixar Tu Loks no nosso set. E foi massa porque a galera de Fortaleza começou a conhecer a música e a ter o contato com a banda, que tem uma energia e sintonia muito forte. Vai ser legal demais ter essa galera de volta aqui na cidade”, comemora o músico. No dia 13 de outubro, além da Dirimbó e Mestre Aldo Sena, participam também da festa no Ritmo Urbano a banda Os Transacionais.

Sobre como a turnê Deixar Tour Loks foi construída ao longo desse um ano e meio, Bruno Negromonte, baterista do grupo, explica que foi a partir de um método de trabalho que a própria banda desenvolveu com o tempo e entre si. “Temos estudado também como conseguir financiamentos e incentivos, e tentado nos aproximar de quem domina essa forma de fazer cultura e arte, mas desde sempre a gente construiu uma forma nossa de trabalhar, sem seguir algum manual, e que tem dado certo apesar das dificuldades que toda banda independente passa. Ninguém esperava que a gente fosse rodar tanto pelo Brasil, mas agora tomamos gosto, sabemos como funciona, e não queremos parar mais”.

“Ao todo no grupo somos quatro músicos e um produtor, mas todos desenvolvemos outras funções, tanto na parte técnica, como na parte de produção e na nossa comunicação. Prova disso é que em três anos de banda conseguimos reportagens legais sobre nosso trabalho em várias cidades, além do laço que construímos com parceiros importantes em cidades como Aracaju (SE), Maceió (AL), Natal (RN), Fortaleza (RN), São Luís (MA), Belém (PA) e São Paulo, tanto na capital como em outras cidades do interior, graças ao Circuito SESC e à parceria com a Odajó Produções”, reforça Bruno.

Para Rafa Lira, guitarrista e vocalista da Dirimbó, um legado que a Deixar Tour Loks deixa é que em cada cidade que a banda passou ela foi influenciada pela cultura local de alguma forma. “Conhecemos muita gente e muitas sonoridades diferentes. Lógico que a possibilidade e o acesso a essas músicas está muito mais fácil, mas nada melhor do que escutá-la presencialmente".

"Um exemplo foi quando a gente participou em janeiro, lá em Belém, de uma edição do Clube da Guitarra no Apoena's Bar, literalmente uma master class com grandes nomes da guitarrada paraense. Tenho certeza que todo mundo saiu diferente daquele encontro porque a gente viu os caras tocando, e é diferente de você só escutar”, 
detalha Rafa Lira.

Vítor Pequeno, guitarrista do conjunto, revela por fim que o que virá depois do encerramento dessa turnê é algo que, na verdade, a Dirimbó já iniciou, “que é o próximo disco da banda. Um trabalho com músicas inéditas e que traz mais ainda as influências pessoais de cada um. A gente decidiu deixar isso mais evidente. Bruno era um cara que escutava muito rock and roll, e a gente trouxe isso nas faixas. Já eu ouvia muito hardcore e reggae. Rafa Lira foi formado no pagode, e ele consegue carregar essa bagagem muito bem, enquanto Mário é a base do swing do Pará”, conta.

“E pode, se preparar porque depois que a gente lançar esse disco vai vir show novo, turnê nova e mapa de palco novo, com direito a telão de led, papangu e, se tudo der certo, quem sabe até uma guitarra nova”, brinca Pequeno, que solta um boato em seguida pra quebrar o gelo. “Existe ainda uma real possibilidade de voltarmos a São Paulo novamente dentro do Circuito SESC este ano, mas não temos a data divulgada. De toda forma, a procura só reforça o reconhecimento do nosso trabalho e de que estamos no caminho certo”.

Deixar Tu Loks (2017) está disponível em todas as plataformas de streaming e foi um trabalho que marcou uma nova posição da banda como conjunto autoral. Além de se apresentar como quarteto, o grupo intensificou o mergulho nas pesquisas individuais de cada músico e na mistura de elementos da música pernambucana, como o forró e o xaxado, com o carimbó e as guitarradas paraenses. Na época do lançamento, foi lançado um videorelease que narra com mais detalhes a ideia desse EP. A Dirimbó é formada por Bruno Negromonte (baterista), Mário Zappa (baixista), Rafa Lira (vocalista e guitarrista) e Vítor Pequeno (guitarrista), e conta com a produção-executiva de Marcus Iglesias.

LISTA DE SHOW DA TURNÊ DEIXAR TU LOKS

- Mundo Lá de Casa | Recife - PE
- Quintal Estelita | Recife - PE
- Xinxim da Baiana | Olinda - PE
- Tropicasa | Recife - PE
- Under | Recife - PE
- Casa Belch | Garanhuns - PE
- Tebas | Recife - PE
- Samba Verde | Recife - PE
- Baile Temperado | Rex Jazz Bar | Maceió - AL
- Che Music Bar | Aracaju - SE
- ETE Ministro Fernando Lira | Caruaru - PE
- Chão Calpão | São Luís - MA
- Ziggy Hostel | Belém - PA
- Lambateria | Belém - PA
- Carnaval de Olinda | Olinda - PE
- Rock Bar | Natal - RN
- Sesc Bauru | Bauru - SP
- Sesc Presidente Prudente | Presidente Prudente - SP
- Espaço Cultural Zé Maria Nogueira | São Paulo - SP
- Sesc Rio Preto | Rio Preto - SP
- Sesc São José dos Campos | São José dos Campos - SP
- Universidade Federal de Pernambuco | Recife - PE
- NaMaiorCatiguria | Ritmo Urbano Bar | Fortaleza - CE
- Clube Atlântico de Olinda | Olinda - PE
- São João de Arcoverde | Polo do Coco | Arcoverde - PE
- Meca Festival | Recife
- Festival da Lambateria | Belém - PA
- Ritmo Urbano | Fortaleza - CE

ASCOM

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