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Cremepe solicita interdição da Tamarineira

Foto: Neurose freudiana


Principal emergência psiquiátrica do estado, o Hospital Ulysses Pernambucano teve ontem pedido de interdição em plenária realizada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe). Um relatório produzido pelo conselho apontava a precariedade do funcionamento da instituição. Em visita à unidade, os conselheiros identificaram problemas na estrutura física, o número insuficiente de profissionais para o atendimento adequado e até a falta de medicamento. O presidente do Conselho, Silvio Rodrigues, afirma que, caso a categoria decida pela interdição, a diretoria do hospital e a Secretaria de Saúde têm até 30 dias para solucionar os problemas. “É um prazo suficiente para que eles se adequem às exigências.”

Entre as fragilidades apontadas pelo documento, estão os problemas com a estrutura física da unidade, com a presença de lama, poças d’água e capim alto. Além disso, os médicos da urgência não têm acesso às informações do prontuário de internações anteriores durante o atendimento e os funcionários terceirizados queixam-se de atrasos no salário. “Não é um problema apenas estrutural. Envolve também outros setores, como falta de medicação e a qualidade do atendimento”, apontou Rodrigues.

A promotora Maria Ivana Botelho, da Defesa da Saúde da Capital, aponta que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) realiza inspeções sistemáticas na unidade hospitalar. A mais recente ocorreu em 2015, motivada por uma denúncia do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde). Até o momento, o órgão não tomou uma ação mais efetiva porque aguarda parecer técnico da Agência de Vigilância Sanitária de Pernambuco (Apevisa) sobre a situação do hospital. Na próxima terça-feira, a promotora, a direção e membros da Secretaria de Saúde do estado vão se reunir para que se estabeleça um prazo para as adequações necessárias. “Nossa postura é de sempre solicitar uma adequação, e não a interdição das unidades hospitalares, principalmente nesse caso, em que o Ulysses é a única do estado”, explicou a promotora.

Criado em 1883 e mantido pela Santa Casa de Misericórdia, o hospital passou para o domínio do estado apenas em 1924. Depois da reforma psiquiátrica iniciada em 2001, tornou-se a maior referência em psiquiatria no estado. “Depois da reforma, a unidade passou a receber apenas os casos mais graves, em que o quadro de agressividade dos pacientes era muito grave e as instituições complementares, que são os Caps, não tinham infraestrutura para acolher”, esclareceu o psiquiatra José Francisco.

Informações: Cremepe

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