A Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) apresenta na próxima terça-feira (29), em seu canal no YouTube (www.youtube.com/SecultPE) e em sua página no Facebook (AQUI), a live “Tracunhaém, terra de santeiros”. A transmissão começa às 19h e vai contar com a participação dos artesãos Wandecok Cavalcanti e Mestre Zuza, dois grandes mestres santeiros da Zona da Mata Norte. A mediação fica por conta de Breno Nascimento, assessor de artesanato da Secult-PE.

Wandecok Cavalcanti nasceu em Caruaru, mas construiu carreira como artesão em Tracunhaém. Faz arte sacra em barro, em uma estética mais barroca. Usando diversos tipos de barro, consegue dar variados tons às suas obras, mesmo sem utilizar tinta. Expõe em diversas partes do mundo. Atualmente, tem obras em exposição na Basílica de Nossa Senhora Aparecida em Aparecida, São Paulo, e esteve, em outubro de 2021, em um evento na Colômbia, representando o Brasil. Chegou a ensinar na Faculdade de Artes do Ipiranga e no Templo das Artes (ambos em São Paulo), entre outros.

Wandecok criou técnicas próprias na criação de suas esculturas. “Tive a preocupação de, no início do meu despertar pela arte, desenvolver o aprendizado. E, neste aprendizado, fiz e desenvolvi três processos de execução de uma única escultura, que são o bloco esculpido, o bojo com aplicação e o bojo com estufamento. A temática dos santos veio com os pedidos de encomendas frequentes de imagens sacras e barrocas. Faço todo modelo e estilo de esculturas em argila, madeira, mármore, bronze, mas minha identidade artista é Sacra Barroca”, conta.

Mestre Zuza é nascido de família artesã. Faz uma releitura do estilo barroco, aproximando da realidade nordestina. Produz santos e santas em barro bem distantes da estética europeia, com traços físicos e vestimentas associadas ao índio, ao negro e à cultura pernambucana. Além dos santos, desenvolveu uma linha única de esculturas xipófagas (ligadas pela cabeça). É Patrimônio Vivo de Tracunhaém. Formou-se em História pela Universidade de Pernambuco (UPE) e chegou a ser secretário de Cultura de sua cidade.

“Aprendi a fazer artesanato através da minha família. Meus avós já eram artesãos em cerca de 1889, aqui em Tracunhaém. Eu continuei esse legado. Uso técnica manual, utilizando recursos simples, como o barro, as paletas de madeira, garfo de cozinha, palitos, arames…Meus santos são bem diferentes. Não são santos com semblante europeu. É um santo mais nordestino, com cara do povo do Nordeste, com semblante negro e indígena também. Eu utilizo o resplendor como cocar dos índios. Os São Pedros e as santas de saia rodada lembram muito o maracatu rural da minha região”, relata.

“A importância maior do programa é a gente difundir uma arte, um segmento ou um setor do artesanato que já é bastante importante, bastante reconhecido, mas sempre é bom a gente estar reforçando os ícones desse segmento. Por isso que a gente está trazendo esses dois mestres santeiros. São duas trajetórias que a gente precisa enfatizar para poder levar essas informações para a sociedade e a gente conhecer o nosso próprio tesouro cultural”, diz Breno, que também é artesão e sociólogo pós-graduado em Política Pública, Sociedade e Economia Solidária. Ele representa a Secult-PE no Conselho Estadual de Economia Popular e Solidária e mediará o bate-papo entre os artesãos.

Serviço:
Live “Tracunhaém, terra de santeiros”, com a participação de Wandecok Cavalcanti, Mestre Zuza e mediação de Breno Nascimento
Quando: 29 de março de 2022 (terça-feira), às 19h