sexta-feira, 16 de julho de 2021

Morre Joel Datz, o Irmão Evento

Morreu, na manhã desta sexta-feira (16), o emblemático Joel Datz, muito conhecido pelo apelido de Irmão Evento. Ele tinha 76 anos e estava internado no Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), na região central da cidade, há cerca de cinco dias, após apresentar complicações cardíacas.

De acordo com o escritor e membro da comunidade judaica, Jacques Ribemboim, Joel era cardiopata e deu entrada no Procape, em Santo Amaro, no Centro do Recife, há cerca de cinco dias por conta de complicações do quadro. Na unidade, chegou a ser encaminhado para a UTI, onde passou cerca de três dias, mas não resistiu e veio a óbito nesta sexta.

"Era uma figura ímpar, a vida dele era andar, vivia caminhando pelo Recife inteiro. Com a pandemia, ele ficou mais recluso e ganhou peso. Era uma pessoa muito doce, terna, bem-humorada. Todo mundo gostava de Joel Datz, não fazia mal a ninguém, só bem", disse Ribemboim.

Joel era solteiro e não tinha filhos. O enterro está marcado para acontecer na tarde desta sexta-feira, no cemitério israelita. O horário não foi divulgado, por conta das restrições impostas pela pandemia da Covid-19.

Um marco na cena local
Judeu e frequentador da Sinagoga Israelita da Boa Vista, Joel ficou conhecido no Recife, junto ao irmão Abraão Datz, por ser figura assídua dos mais diversos eventos que aconteciam na capital pernambucana. De casamentos a exposições, a lenda construída no imaginário das ruas da cidade é de que um evento só era considerado bem-sucedido quando contava com a presença de ambos. Eram uma espécie de personalidade que se confundiam entre si; quase a demarcação de um tempo histórico para quem organizava as festas.

"Eram muito parcimoniosos, não gastavam, abdicaram das frivolidades do capitalismo moderno, embora tivessem posses. Foram muito coerentes com o pensamento, muito alegres e divertidos. As pessoas gostavam, às vezes eles eram até penetras, mas bem-vindos. Davam certo status ao evento, era quase que como uma assinatura de qualidade", relembrou Jacques Ribemboim.

Os dois eram engenheiros civis por formação, mas não exerciam o ofício. Depois da morte do irmão, em 1995, Joel passou a frequentar os eventos da cena cultural recifense sozinho. "Durante muito tempo, Joel ainda ficou sendo chamado no plural: 'chegaram os Irmãos Evento', mas era só um", acrescentou o membro da comunidade judaíca. 

O Irmão Evento era visto como uma icógnita, certas vezes. Entre os mais próximos, havia a inquietação do que estaria por trás do jeito um tanto misterioso e o questionamento de como alguém conseguia abdicar de tanto para viver uma vida simples, tendo os bens que tinha.

Jacques Ribemboim tinha uma entrevista marcada com Joel para completar as informações do seu novo livro, A História dos Judeus de Pernambuco. Uma das ideias do escritor era justamente captar dele as minúcias que até então não chegaram a ser ditas. O despertador, que serviria como lembrete do encontro, já estava a postos. Mas não deu tempo. 

Fonte: Diário de Pernambuco

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