sexta-feira, 26 de março de 2021

Caixa Saúde recorre de decisão judicial e se recusa a completar o valor para compra de medicamento de bebê com AME

O pequeno Heitor Moreira, tem apenas 10 meses e precisa do Zolgensma, remédio que pode paralisar os efeitos da doença e custa R$ 12 milhões. A família arrecadou cerca de R$ 3 milhões em ações, mas o caminho ainda é longo

A Caixa Saúde recorreu da decisão que determinava o pagamento e complemento do valor para a compra do remédio para Heitor Moreira Melo, bebê de 10 meses. Ele tem Atrofia Muscular Espinhal (AME) e precisa tomar o ZOLGENSMA, o medicamento mais caro do mundo, que custa R$ 12 milhões e pode ser decisivo para a vida da criança. Esta notícia pegou a família de surpresa, pois, na última quarta-feira (17), o Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, de João Pessoa, deferiu em favor do menino, garantindo que o plano de saúde completaria os quase R$ 6 milhões que faltam para o medicamento.

O valor inicial do remédio era de R$12 milhões, mas Carla Melo e Hugo Moreira, pais do menino, conseguiram que a medicação chegasse a R$ 8,9 milhões. Com a ajuda de cerca de 240 voluntários e pequenas ações como Anjo Mensalista, Troco Solidário, Ações no Instagram, Rifas, Bazar, Pedágio virtual e Ações com funcionários da Caixa Econômica Federal, a CEF, onde o pai trabalha há 12 anos, arrecadaram um pouco mais de R$ 3 milhões.

"Agora mais do que nunca precisamos que as doações continuem para o nosso filho, porque está tudo muito incerto ainda, não sabemos o que o futuro nos espera. É muito angustiante esse momento, contamos com a solidariedade e o apoio de todos", diz emocionado Hugo Moreira.

Detalhes judiciais

O pai de Heitor é beneficiário do plano de saúde da empresa, a Caixa Saúde, e tem como dependente o seu filho Heitor. Em um pedido feito anteriormente na justiça, a operadora do plano de saúde negou a compra da medicação, o que com a decisão da liminar atual "constitui abuso de direito do plano de saúde a negativa de tratamento autorizado pela Anvisa...".

A Caixa Econômica Federal, diz, em linhas gerais, que o plano é mutualista, ou seja, todas as despesas serão divididas entre os beneficiários. Entende não ser justo que todos paguem para fornecer o remédio para o Heitor. Agora, Daniela Tamanini, advogada da família, está preparando a resposta ao recurso.

Luta desde o nascimento

O pequeno Heitor nasceu em João Pessoa, capital da Paraíba, de forma prematura após uma gravidez conturbada, e teve que ficar 21 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Pouco tempo depois de voltar para casa, Heitor teve que ser internado de novo porque não conseguia respirar sozinho e estava hipoativo. Foi quando seus pais, o bancário Hugo Vinícius Moreira e a enfermeira Carla Melo, decidiram se mudar para Recife, pois as estruturas hospitalares eram melhores. Na capital pernambucana, Heitor foi diagnosticado com AME tipo 1.

Desde então, ele luta para sobreviver, e a família organizou uma campanha pelas redes sociais e ações por cidades do país inteiro, com o objetivo de conseguir recursos financeiros para a compra da medicação ZOLGENSMA, que é a primeira terapia gênica do mundo para o tratamento. O medicamento só pode ser administrado até os dois anos de idade, por isso, a pressa da família em adquiri-lo.

Informações:  Ana Clara- Agência Mentha

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