quinta-feira, 12 de julho de 2018

“Se Essa Rua Fosse Minha” promove brincadeira de criança em educação e transformação


"As comunidades mais carentes e em situação de risco não tem muitas oportunidades ou atividades de lazer, e com essa proposta, nós conseguimos trabalhar sua visão de pertencimento no mundo e transmitir conhecimento”, diz Clécia Cabral, presidente da Coopefen - Cooperativa de Ensino, Esporte e Arte de Feira Nova, que vem trabalhando a educação e o desenvolvimento através da brincadeira. Como já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade, "há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons". E de concreto é nas experiências das primeiras idades que construímos o ser humano que seremos na vida adulta e, com isso, a iniciativa da entidade traz uma oportunidade para diversas crianças de 9 a 14 anos poderem praticar a infância e sair por alguns momentos de uma existência dura, cheia de obrigações de adultos e com responsabilidades que são mais pesadas do que os seus corpos podem aguentar.

Por isso, o projeto “Se essa rua fosse minha”, desenvolvido pela Coopefen desde 2016, tem se destacado em bairros mais afastados de Feira Nova, Agreste de Pernambuco, como São José da Cachoeira, Vila do Ouro e Vila do Queijo. Promovendo atividades sócias educacionais através da brincadeira, a cooperativa proporciona conscientização desses menores que residem nessas áreas que são desassistidas de ações sociais que se foquem em um fator essencial no cotidiano de qualquer criança: o lazer. “Todos os nossos cooperados participam do projeto, que também busca envolver os pais nesse processo de transformação, uma mudança que deve começar em casa com quem está lá do lado daquela criança. Assim, poderemos ser mais participativos nesse processo de construção de uma realidade melhor para a nossa sociedade”, destaca Cabral. 

A participação e inclusão dos pais nesse envolvimento têm sido ampliadas cada vez mais nos encontros, que são realizados em períodos estratégicos de acordo com a situação das comunidades e da própria cooperativa. Em 2016, por exemplo, foram realizados encontros de três em três meses reunindo uma média de 150 crianças dessas comunidades. Ano passado, foram realizado dois encontros com a mesma média de menores, nessas mesmas áreas. Com apoio da Prefeitura, a Coopefen consegue espaço e material para a realização das atividades realizadas com o apoio dos onze cooperados que estão envolvidos diretamente nas ações da cooperativa, juntamente com os voluntários que defendem da comunidade. “Todos precisam estar engajados. Todos precisam estar unidos. E assim podemos realizar brincadeiras cooperativas que contribuem para melhoria do relacionamento com as comunidades. Brincadeira é algo lúdico e o lúdico faz com que as crianças se foquem mais e apreciem melhor o conteúdo como sustentabilidade, cooperativismos e outros que são repassado nas ações trabalhadas em rua”, enfatiza Clécia.

Uma série de ações que vão sendo propagadas nessas blitz educacionais que pretendemos expandir para outras áreas como a Rua do Bode, na Vela Vista onde mais crianças e seus pais podem ser beneficiados. O projeto surgiu de uma ideia que já existia e atendia crianças de dois a dez anos, quando receberam o convite da Cecope para ampliar essas ações. “Mostramos a importância de temas importantes e de impacto social no dia a dia como a sustentabilidade, para o público que no decorrer do processo vai descobrindo cada vez mais a importância de tudo que está ao seu redor. Sabemos com isso que causamos muitas transformações na vida dessas crianças e na sociedade em que habitam, mudanças tão significativas que nem temos como mensurar”, completa Clécia Cabral.


Ivelise Buarque

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