sábado, 28 de julho de 2018

Penúltima noite do Festival de Inverno é marcada por confusão, discursos sobre liberdade sexual, palavrões e ofensas


A penúltima noite do 28º Festival de Inverno de Garanhuns foi marcada por muita confusão. Enquanto os shows começavam na Praça Mestre Dominguinhos, em algum lugar da cidade um mandado de segurança deferido pelo desembargador Roberto da Silva Maia, impetrado pela Ordem dos Pastores Evangélicos de Garanhuns e Região, impedia o governo do estado de realizar o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu dentro da programação oficial de artes cênicas do FIG. A polícia foi chamada e houve muita confusão no local, uma vez que a Fundarpe foi obrigada a retirar a estrutura que havia sido colocada no local para a apresentação da peça. Mais o espetáculo aconteceu embaixo de chuva, sem iluminação, sem cadeiras ou estrutura alguma fornecida pelo estado. E a batalha entre religiosos e comunidade LGBT não parou por ai.

No Palco Mestre Dominguinhos, o garanhuense Romero Ferro abria as apresentações no Palco Mestre Dominguinhos, apresentando músicas do álbum “Arsênico”, além de músicas inéditas, como “Pra Te Conquistar”  lançada no início de julho com shows em Recife, João Pessoa e Arcoverde. O público que estava na praça conferiu uma batida new wave misturada ao brega pernambucano; marca registrada na carreira do artistas.

Em seguida, veio o Coco da Umbigada, com mais de vinte anos de carreira, liderado por Mãe Beth de Oxum, e colocou a plateia para dançar, com os cocos "Tá na Hora do Pau Comer", "Piaba" e "Manoel Passarinho". Beth de Oxum levantou a bandeira LGBT  e disse que é preciso respeitar a religião dos outros, a sexualidade dos outros. E bradou " Respeita Porra".


Filipe Catto apresentou a turnê "O nascimento de Vênus". Catto lembrou a primeira vez que esteve no FIG. "Há uns 4 anos, eu me apresentei pela primeira vez no FIG e foi uma das melhores noites de minha vida. A emoção na noite de hoje é ainda maior, vocês fazem minha arte ser renovada. É muito especial cantar neste evento", declarou Catto. O público cantou em coro suas canções " Só por ti", "Saga", "Adoração", "Depois de amanhã", " Lua Deserta"e o "Menina Eva". Durante a apresentação, Catto usou uma espécie de coroa como a de Nossa Senhora e fez pediu liberdade de expressão.


A paraense, Gaby Amarantos , abriu o show fazendo uma homenagem as mulheres negras, aos LGBTS e em defesa do povo indígena. Com uma banda formada apenas por mulheres, o seu show Elétrica embalou o público na Praça Mestre Dominguinhos, com hits como "Faraó", "Ex my love", "Ela tá beba doida", "Shirley Charque". Gaby aproveitou sua apresentação para dizer que os direitos dos negros e lgbts entraram na pauta política mais dos índios não. A cantora falou de preconceito no palco "Quero dedicar esse show a todas as pessoas que já sofreram algum tipo de preconceito. Principalmente as mulheres negras e toda comunidade LGBTQ+. Recentemente eu fui vitima desse mal, fiquei muito mal e precisei ser muito forte para sair dessa", declarou a cantora lembrando do episódio envolvendo o apresentador Silvio Santos.


Encerrar a noite ficou por conta do cantor e compositor Johnny Hooker, que trouxe ao palco a turnê "Coração" . No repertório, mesclou canções do seu primeiro disco como "Eu vou fazer uma macumba para te amarrar, maldito", "Touro", "Beija-flor" e "Flutuar". O artista ainda fez um dueto com a cantora Gaby Amarantos na música  "Corpo fechado". Mais a apresentação não parou por ai.  Hooker, disparou " E se Jesus voltasse agora a terra como uma travesti? Não era pra amar o próximo como a si mesmo? Estamos aqui num festival de falso viva a liberdade. Pois eu quero dizer que Jesus também é travesti sim, Jesus é transexual sim, Jesus é bicha sim". Após isso, convidou o público para cantar com ele o coro: ih ih ih, Jesus é travesti. Sendo vaiado e aplaudido pelo público, o artista respondeu " Podem vaiar, enfiem essas vaias".

A prefeitura de Garanhuns divulgou na manhã deste sábado, uma nota de repúdio ao show do artista pedindo respeito ao povo de Garanhuns.

Amannda Oliveira

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