sexta-feira, 25 de julho de 2014

Evento de fotografia Confluência convida o fotodocumentarista João Ripper



Colocar a fotografia a serviço dos direitos humanos, através da documentação de grupos como populações quilombolas, tribos indígenas e moradores de favelas, com um olhar que quebra estereótipos. É assim que o fotógrafo carioca João Roberto Ripper trilha os mais de 30 anos de carreira profissional no mundo das imagens. 

Considerado um dos fotodocumentaristas mais referenciais no País, Ripper será um dos convidados do evento Confluência – Encontro de Olhares, que acontecerá dos dias 6 a 10 de agosto, em Petrolina. No primeiro dia do encontro, na quarta-feira (6), ele apresentará o seminário Imagens para pessoas, com o fotógrafo pernambucano Mateus Sá. “Lá eu vou 
mostrar o trabalho que resultou da Escola de Fotógrafos Populares, que foi uma agência-escola que criei no Conjunto de Favelas da Maré, o maior agrupamento de favelas do Rio de Janeiro”, detalha Ripper. 


Quando fotografava favelas a convite do Observatório de Favelas – uma organização social de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos - João Roberto Ripper conheceu várias pessoas que queriam ser fotógrafos e tinham visões diferentes sobre o lugar onde viviam. O fotógrafo resolveu reuni-los em torno da Escola de Fotógrafos Populares, que hoje é coordenada pelos ex-alunos dele. “Hoje, eles vivem de fotografia e politicamente tentam contar outras histórias sobre as favelas. Mostram-nas em sua plenitude, como um local que tem problemas e  violências, mas que também tem uma vida enorme. É um material muito bonito o deles”, conta Ripper, que sempre defende o poder das imagens de quebrar estereótipos. A Escola de Fotógrafos Populares foi a forma que encontrou de disseminar a ideia para uma quantidade maior de pessoas.


No Confluência – Encontro de Olhares, João Ripper também falará sobre a fotografia compartilhada, que foi a forma encontrada por ele de criar um elo de bem-querer entre quem fotografa e quem vê as fotos. Ao visitar comunidades brasileiras, ele documenta as pessoas, os fazeres, as paisagens e pede para que as pessoas participem das escolhas das imagens. “Se os moradores não se sentem representados, eu não uso o registro”, detalha o fotógrafo. 

É por isso que o trabalho documental de Ripper traz, quase sempre, a beleza do que é mais humano. Ao retratar pescadores, mostra-os no ofício secular de tecer redes, ou no ápice da felicidade, quando os peixes são capturados. Nas fotografias de comunidades quilombolas, registra os momentos de união e felicidade pura dos moradores daquele grupo social. Quando fotografou a tribo dos Guaranis Kaiowá, capturou os instantes de interação profunda dos indígenas com a natureza. No entanto, como não poderia deixar de ser, todas essas séries fotográficas também  trazem o componente de sofrimento inerente a qualquer existência humana.

Além de apresentar o próprio trabalho no seminário que acontecerá no primeiro dia do evento, o fotógrafo também ficará encarregado de analisar o portfólio de jovens fotógrafos que se inscreveram no Confluência. “Tentarei sugerir caminhos a essas pessoas. É sempre importante que os jovens tenham orientações de quem tem mais tempo de estrada, para não cometerem os mesmos erros que nós cometemos”, explica João Ripper, que já trabalhou em vários jornais e agências fotográficas do País, como O Globo, Diário de Notícias e Imagens da Terra, mas que hoje realiza trabalhos freelancer.

O EVENTO

O Confluência – Encontro de Olhares também contará com palestras das fotógrafas pernambucanas Priscila Buhr, que falará sobre o trabalho ausländer, vencedor revelação do Prêmio Brasil de Fotografia do ano passado, e Ana Lira, que apresentará a série Votos, que seguirá para a Bienal de São Paulo no próximo mês de setembro. Os fotógrafos Hirosuke Kitamura e Anderson Schneider também apresentarão os próprios trabalhos no evento.

Durante os dias em que ocorrerá o encontro, de 6 a 10 de agosto, a fotógrafa Maíra Gamarra, que também é a curadora do evento, ministrará workshop de introdução à linguagem fotográfica e Rafael Medeiros levará oficina sobre fotografia de gastronomia, estilo que tem desenvolvido nos últimos anos para diversos produtos de comunicação especializados no assunto.

Palestra e leitura de portfólios com o fotógrafo João Ripper – No Confluência – Encontro de Olhares. De 6 a 10 de agosto, em Petrolina (PE). 

Informações: Bárbara Buril (9617-0281)

Um comentário:

  1. É um blog com cheio de informações mais recentes e espetacular - Este blog me ajudou a ganhar muito mais informações. Eu gostaria de apreciar o proprietário do blog por seus esforços.

    Fotografia de casamento

    ResponderExcluir