segunda-feira, 30 de maio de 2011

Entrevista com Luciano Magno


Ele nasceu em Paulo Afonso e chegou a Pernambuco aos 16 anos. Ele é compositor, instrumentista, arranjador, produtor musical e cantor, sendo uma dos músicos mais completos da atualidade.

Fez parceria com nomes como Moraes Moreira, Alceu Valença, Elba Ramalho, Hermeto Pascal, Naná Vasconcelos, André Rio, Paulinho Leite, entre outros. E se apresentou em países como França, Alemanha, Itália, Suíça, Espanha, Portugal, Holanda, Macedônia, Argentina e Estados Unidos. Passando pelos principais festivais do mundo. Os seus trabalhos passeiam como poucos do instrumental ao forró pé de serra, encantando por onde passa.

Nós estamos falando de Luciano Magno que traz na bagagem os álbuns:  Luciano Magno (Liberdade - 2000); Luciano Magno e Fábio Valois (Sotaque - 2004); Trio Sotaque (Engasga Gato - 2006); BPM Trio 2006; Trio Sotaque (DVD Recife Brasil - 2007); Luciano Magno (Novos Carnavais - 2008); André Rio e Trio Sotaque (Rapsódia Nordestina - 2009); Sandro Haick e Luciano Magno (Viva Dominguinhos - 2009)e Luciano Magno (Forrobodó - 2010).

1. Falando Francamente: Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer pela conversa com o nosso blog.

Luciano Magno: Eu que agradeço. É um prazer conversar com vocês e poder falar um pouco sobre o nosso trabalho.

2.      Falando Fracamente: Você tem uma carreira repleta de bons resultados. Apresentou-se em alguns dos melhores palcos do mundo. Existe algum palco que você não tocou e que diga: eu ainda vou tocar ali?

Luciano Magno: Durante a vida a gente vai construindo sonhos que aos poucos vão se tornando realidade. Ainda na infância sonhava em ter uma carreira musical, tocar no nordeste, no Brasil e, sobretudo lá fora! Chegou um momento que isto pintou repentinamente e com muita ênfase na minha vida. Toquei em quase toda a Europa, nos EUA, alguns países da América Latina... Mas, ainda não fui à Ásia. Tenho vontade de ir pro Japão e creio que o farei com o novo disco instrumental que estou gravando.

3. Falando Francamente: Você foi o grande vencedor do Festival de Música Carnavalesca do Recife de 2010 com o frevo “Pisando em Brasa”, de sua autoria e ainda, levou o segundo lugar no mesmo festival com o caboclinho “Caboclo D`àgua”, além disso ficou com o melhor arranjo. Isso mostra que o frevo pernambucano se renova o tempo inteiro. Fala pra gente sobre o festival.

Luciano Magno: Acho o Festival de Música Carnavalesca do Recife importantíssimo para a preservação e divulgação dos nossos ritmos carnavalescos, principalmente para o Frevo.

Tive o privilégio de ser o vencedor neste ano, onde o festival recebeu uma maior valorização por parte dos organizadores, um cuidado maior. Foi feita uma parceria com a gravadora Biscoito Fino para a distribuição nacional do disco do festival. O meu frevo “Pisando em Brasa” abre o disco.  Este prêmio vem como reconhecimento de um trabalho que desenvolvo com música brasileira, desde criança sabe? Quando comecei a tocar, não éramos presos à um  só gênero! Sempre toquei um pouco de tudo... Às vezes fico pensando: “Nunca conseguiria viver preso a um único gênero”. O motivo que me fez escolher música, foi justamente poder curti-la plenamente. Hoje consigo fazer isso. Tenho vários parceiros e componho frevo, baião, xote, samba, bossa, rock (por que não?)...

4.      Falando Francamente: Falta espaço nas rádios para os novos frevos? Já que praticamente só se escuta o ritmo no carnaval.

Luciano Nagno: Acho que falta espaço para a música de uma forma geral. O mercado mudou muito nos últimos anos. As gravadoras detinham o poder, encontravam um cara com talento e usavam o seu poder na mídia para divulgá-lo. Hoje com a tecnologia digital, qualquer um grava uma música e de repente, posta na net... Já vira artista! Rsrsrs... Sem ainda ter estrada, conhecimento de causa, sabe? Ainda tem o lance do “jabá”, os caras que pagam pra tocar porcaria, nas rádios comercias.

O frevo consegue um espaço nas rádios que tem uma programação mais cultural, mas é preciso que seja divulgado bem antes do carnaval para chegar com força nas festas de momo.
Nos anos 80, tínhamos vários frevos executados nacionalmente nas vozes de Elba, Gal, Alceu, Moraes...
Tenho receio de vê-lo perdendo força ao longo dos anos, mas quando chega o carnaval tenho a certeza de que isto não acontecerá. Um carnaval em Pernambuco sem o frevo não faz nenhum sentido, perde a sua alegria!

5.Falando Francamente: Em 2010 você gravou o Cd Forrobodó com  músicas de sua              autoria em parceria com nomes como André Rio, Dominguinhos e Moraes Moreira. Fala um pouco pra gente sobre o novo trabalho que você vai apresentar a Arcoverde no próximo dia 1.º de junho na Livraria Lira Cultural.

Luciano Magno: Gravei o CD Forrobodó como uma homenagem aos quase 25 anos que venho me dedicando também a este gênero. Comecei a tocar forró ainda garoto, com meu pai que toca acordeon, nas festas de São João. No Recife, gravei e produzi muita gente relacionada ao gênero. Não tenho dados estatísticos mas, acho que gravei mais de 300 cd´s de artistas forrozeiros. Muitos iam nos procurar nos estúdios Somax para a produção dos seus discos. Foi um tempo muito bom de grandes experiências e encontros. Por lá passaram nomes como Alceu Valença, Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Sivuca, Amelinha, Nando Cordel, Jorge de Altinho, Alcymar Monteiro, Flávio José, Maciel Melo, Andre Rio, Petrucio Amorim, Paulinho Leite, Cristina Amaral, Santanna, entre tantos outros parceiros...
O “Forrobodó” é fruto destas experiências somadas ao fato de que eu sempre tocava no São João do nordeste com nomes como Dominguinhos, Nando Cordel, Andre Rio e Elba Ramalho. Em 2009, produzi o CD “Rapsodia Nordestina” uma parceria do grupo que eu mantinha na época, o Trio Sotaque com o cantor e compositor André Rio. Já era uma sinalização de que eu faria brevemente um disco solo, voltado pro gênero.
Escolhi músicas que compus com alguns parceiros como Indiferença (Luciano Magno e Gilton Della Cella), Violas (Luciano Magno e João Araújo), Pra ver você (Luciano Magno e Adilson Medeiros) e Pé de Bode, música minha que recebeu letra do André Rio. Fiz também releituras de músicas como Maçã do Rosto (Djavan), Beijo de Planeta (Dominguinhos e Moraes Moreira) e Forró do Futuro (Assisão). Agora é aproveitar o embalo e levar o “Forrobodó” em julho para a Europa.
 5.      Falando Francamente: Como foi receber de um gênio como Roberto Menescal o presente “Samba Magno”?

Luciano Magno: É um orgulho receber uma composição de um cara como o Menescal, que é ícone de um movimento que levou a nossa música pro topo das paradas no mundo. Um cara que também foi produtor de gravadora, lançando pérolas no mercado fonográfico como discos de Gal Costa, Elis Regina, Ivan Lins, Leila Pinheiro, Emilio Santiago, só pra citar alguns nomes...
Tive o meu primeiro contato com ele em uma feira de música em São Paulo há uns nove anos. O diretor de uma das empresas que me patrocina, a Condor Guitars, falou sobre o meu trabalho pro Menescal e me convidou pra ver um show dele na mesma noite.
No meio do show, tive uma imensa surpresa, quando o Menescal falou que iria chamar ao palco um cara que ele já tinha ouvido falar e tal... Esse cara era eu. Fui lá e toquei frevo e baião. Ele adorou! Passamos a ter uma amizade e nos encontramos com uma certa freqüência quando vou ao Rio de Janeiro. Já o trouxe pro Teatro Santa Isabel, no Recife.
Dividimos o palco neste evento. 
Agora recebo mais um presente que é o “Samba Magno”. Quando ele me mostrou a música, o Andre Rio estava comigo e adorou a melodia. André acabou se tornando parceiro de Menescal, pois colocou letra na melodia dele. Ficou sublime!

6.      Falando Francamente: Algumas parcerias que você faz na música, acabou levando também pra vida pessoal como é o caso dos seus amigos André Rio e Paulinho Leite. Fale um pouco pra gente sobre como aconteceram estas parcerias.

André é um parceiro antigo. Fizemos muita coisa juntos... Por volta de 1998, nossa amizade se firmou. Começávamos ali um novo ciclo, levando a nossa música para a Europa. André foi um dos pioneiros desta nova fase, abrindo espaços, criando projetos para a divulgação da música pernambucana. Fiz muitos discos dele, shows, algumas composições juntos... É uma parceria duradoura, amizade mesmo!
Conheci Paulinho em estúdio, gravando no seu disco. Produzi alguns CD´s dele e agora tive o grande prazer de fazer os arranjos e direção musical do seu DVD, além de uma participação especial, em uma música minha que ele gravou. Nossa amizade foi se firmando ao longo destes anos... O cabra hoje é quase meu vizinho e me convidou para ser padrinho do seu filho. Cumpade véi!!!
Acabei me tornando um elo entre André e Paulinho, que hoje são grandes parceiros. Tudo isto vai culminar em uma turnê na Europa em julho próximo. Faremos esta turnê divulgando o trabalho dos três amigos. Vamos passar pelo Montreux Jazz Festival (onde estou indo pela sétima vez) Festival Latinoamericando de Milão, shows na Alemanha, Portugal... Vai ser muito legal!

7.      Falando Francamente: O que inspira Luciano Magno?

Luciano Magno: A paixão pela música. Às vezes sonho compondo, tocando, trabalhando com música... Acaba saindo alguma coisa disto tudo.

8.      Falando Francamente: Quais os próximos projetos de Luciano Magno?

Luciano Magno: Estou começando a gravar um novo disco instrumental e pretendo lançar até o final do ano.

10. Ping Pong:

Luciano Magno:

Paulo Afonso – Minha terra Natal! Meus pais que moram lá, meus irmãos, os amigos de infância...

Recife – A cidade que me acolheu e onde construí a minha carreira.

Saudade – De escutar uma boa música tocando com freqüência nas rádios e nos carros da garotada.

Música – A música brasileira, o jazz, a clássica e a música nordestina que nos é peculiar.

 Arcoverde vai poder conferir de perto o trabalho desse grande artista no próximo dia 1.º na Livraria Lira Cultural em parceria com o Blog Falando Francamente.


Amannda Oliveira

2 comentários:

  1. Sem dúvida alguma, vai ser o bicho e eu estarei lá. Juliana Arcoverde

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  2. Olá Juliana, seja sempre bem vinda e nos vemos na quarta feira. Um Abraço

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