18º FestCine anuncia programação

Foto:Djair Freire/Secult-PE/PCR
O Cinema São Luiz, palco dos maiores festivais de audiovisual do Estado, abriga, entre os dias 28/11 a 3/12, a 18ª edição do Festival de Curtas de Pernambuco (FestCine). Realizado pelo Governo de Pernambuco, através da Secult-PE/Fundarpe, em parceria com a Prefeitura do Recife, a mostra, cuja programação é inteiramente gratuita, exibirá neste ano um total de 58 filmes de todas as macrorregiões pernambucanas, revelando uma grande diversidade de temas, estéticas, narrativas e processos de realização. Selecionados entre 104 obras inscritas, os curtas concorrem a uma premiação total no valor de R$ 40 mil, além do  Troféu Fernando Spencer, nas categorias técnicas. Confira AQUI a programação completa.
“Ao longo desses 18 anos, o FestCine se orgulha de ter exibido, ao longo de sua trajetória, os primeiros trabalhos de muitos diretores que, atualmente, são consagrados e que tão bem têm representado o cinema nacional pelo mundo. Criado inicialmente como Festival de Vídeo – em uma época onde eram raras as alternativas para exibição de conteúdos audiovisuais independentes, o festival cresce a cada edição com a missão de preservar o olhar para a produção local e promover interações entre jovens e experientes realizadores do segmento”, conta Milena Evangelista, coordenadora-geral do evento.
O secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja, destaca que “em um complexo e desafiador cenário político e sociocultural, é mesmo de comemorarmos a permanência e o alcance da ‘maioridade’ desta importante ação da política pública que, há 18 edições,vem contribuindo para a difusão do audiovisual pernambucano e para a formação cultural de diversos de realizadores”.
Homenageados - A 18ª edição do FestCine reverencia a imensa contribuição de dois pernambucanos ao cinema brasileiro: o professor e cineasta Paulo Cunha, que tem se dedicado atualmente a qualificar a pesquisa sobre o cinema feito em Pernambuco; e a diretora Renata Pinheiro que tem acumulado prêmios e exibições nacionais e internacionais de suas obras, como o longa-metragem Amor, Plástico e Barulho.
Etapa formativa - Neste ano, as atividades de formação ganham ainda mais relevância, em diálogo com questões urgentes para o audiovisual brasileiro e a própria política pública para o setor. Com a proposta de gerar reflexões sobre a cinematografia de diretoras e questionar padrões como o da mulher-musa e da mulher-coadjuvante no audiovisual, a jornalista e pesquisadora Carol Almeida vai facilitar a oficina Para além do teste Bechdel: representação da mulher no cinema. Já a cineasta e educadora Lia Letícia vai orientar o minicurso Videoarte em Ação, exibindo e discutindo obras de diversos artistas do gênero, contemplando vertentes como performance, intervenção urbana, videopoesia e videoinstalação. Confira aqui os participantes selecionados das oficinas.
Atividades paralelas - Em parceria com a Federação dos Cineclubes de Pernambuco (FEPEC), o FestCine também abre espaço para ricos debates sobre Difusão, Cinemas de Rua, Acessibilidade Comunicacional, Direito Humano à Comunicação, entre outros temas que integram a programação do 4º Encontro de Cineclubes de Pernambuco, que acontecerá entre os dias 2 e 3 de dezembro, no auditório do Hotel Barramares (Piedade – Jaboatão dos Guararapes).
O FestCine mantém as iniciativas de inclusão, através da Sessão Especial Festival VerOuvindo + Projeto Toda Palavra, que contemplará a exibição de cinco curtas  pernambucanos (“Minha geladeira pensa que é um freezer”, “Olhos de Botão”, “Soledad”, “João Heleno dos Brito” e ”Au Revoir”) com acessibilidade comunicacional. Além disso, esse é o terceiro ano que o VerOuvindo participa do evento, concedendo o Prêmio Serviço de Acessibilidade a três filmes que concorrem nas mostras competitivas. Essas produções serão exibidas na próxima edição do VerOuvindo, marcada para abril de 2017. O projeto Toda Palavra é uma coletânea em DVD de dez curtas-metragens pernambucanos com acessibilidade comunicacional (AD, Libras e LSE). São filmes de diferentes momentos da safra pernambucana, de diferentes realizadores.
Brechó – Durante o FestCine, o Cinema São Luiz irá receber o acervoBOUTIQUE, brechó formado por Carol Monteiro – figurinista, stylistvintager, produtora de moda, cenógrafa, consultora e produtora cultural – e Maria Rosa Pereira – diretora e produtora de arte, colecionadora, artesã, cenógrafa, produtora de objetos e produtora cultural. Especialistas  em garimpar tesouros em roupas, objetos e acessórios espalhados pelo mundo, fazemos uma proposta de moda mais sustentável, personalizada e humana. “Para o FestCine, fizemos uma cuidadosa curadoria no nosso acervo especialmente para trazer peças que tenham a cara do festival e de seu público”, conta Carol Monteiro.
Conheça melhor os homenageados do 18º FestCine:
Paulo Cunha
Nasceu no Recife, em 1956. Ainda estudante secundarista, participou, a partir de 1973, do ciclo de cinema super-8 do Recife, realizando curtas experimentais. Em 1978, ganhou o prêmio de Melhor Filme do Festival de Cinema do Recife, com “Esses Onze Aí”, realizado em parceria com Geneton Moraes Neto. Com o fim do movimento do super-8, passou a produzir, no início dos anos 1980, filmes em 16mm, sobretudo “Tambor Brasil” – sobre a mitologia em torno de Miguel Arraes – e “O Coração do Cinema” – baseado num roteiro nunca filmado do poeta russo Vladimir Maiakovski e também co-dirigido por Geneton Moraes Neto. Paulo Cunha é graduado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e foi repórter, crítico de cinema e editor em diversos veículos, como Jornal da Cidade, Jornal da Tarde [SP], O Estado de S. Paulo e Jornal do Commercio. Também foi editor de criação na Rede Globo de Televisão.

Foto: Ana Farache/Divulgação

Entre 1984 e 1990 morou na França onde foi membro do seminário fechado de Teoria do Cinema do semiólogo Christian Metz e fez diversos cursos: Diploma de Estudos Aprofundados em Teatro e Cinema na Universidade de Paris X – Nanterre, o Diploma em História e Cinema da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e o Doutorado em Artes na Universidade de Paris I – Panthéon- Sorbonne. De volta ao Brasil, tornou-se professor na Universidade Federal de Pernambuco, onde participou, desde 1993, de diversos projetos como a criação do Bacharelado em Cinema e Audiovisual, do Mestrado e Doutorado em Comunicação e do Mestrado e Doutorado em Design. Tem participado também de dezenas de cursos abertos de cinema, como a Especialização em Estudos Cinematográficos da Universidade Católica de Pernambuco. Nessas atividades acadêmicas, Paulo Cunha tem se dedicado a qualificar a pesquisa sobre o cinema feito em Pernambuco, tendo orientado dezenas de especializações, vinte mestrados e uma dúzia de doutorados e pós-doutorados. Parte dos resultados dessas pesquisas têm gerado a publicação de artigos e livros, entre os quais os mais recentes são “A Invenção de Tatuagem: o processo criativo de Hilton Lacerda” (2017, no prelo), “A Aventura do Baile Perfumado: vinte anos depois” (2016, com Amanda Mansur), “A Imagem e seus Labirintos: o cinema clandestino do Recife, 1930-1964” (2014) e “A Utopia Provinciana: Recife, Cinema, Melancolia” (2010). Paulo Cunha foi em diversas ocasiões membro de comissões de seleção de editais para a produção audiovisual, como o do Prêmio Ary Severo e o concurso de roteiros de longas da Eletrobrás. Coordena, atualmente, a implantação do Cinema da UFPE, uma sala de exibição com 200 lugares e projeção 4K, com previsão de inauguração para o primeiro semestre de 2017.
Renata Pinheiro
Formada em Artes Plásticas, teve seu primeiro curta-metragem, “Superbarroco”, com estreia internacional na Quinzena dos Realizadores, Festival de Cannes 2009. Foi contemplado com diversos prêmios, incluindo Melhor Filme no Festival de Brasília 2008 e Melhor Filme na Academia Brasileira de Cinema 2010. Co-dirigiu com Sérgio Oliveira em 2011 os premiados filmes “Praça Walt Disney” (documentário de curta-metragem), com estreia internacional no Festival de Locarno (2011) e “Estradeiros” (documentário de longa-metragem) filme vencedor do Festival Semana dos Realizadores (Rio 2011).

                                                  Foto: Divulgação
Em 2013 lançou seu primeiro longa metragem de ficção “Amor, Plástico e Barulho” no Festival de Brasília, arrecadando três prêmios e acumulando vários prêmios e exibições nacionais e internacionais como Festival Indie Lisboa, Festival de Cinema Brasileiro de Toronto, entre outros. “Amor, Plástico e Barulho” está em circuito de exibição comercial no Brasil desde janeiro de 2015 e em exibição no Canal Brasil. No momento, está finalizando o seu segundo filme de ficção “Açúcar” e a série de ficção “África da Sorte”, ambos co-dirigidos com Sérgio Oliveira, além da pré-produção do filme “Carro Rei”.
Confira a composição do Júri Oficial da Mostra Competitiva:
Cláudio Bezerra - É doutor em Multimeios pela UNICAMP e professor de cinema e televisão da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), onde coordena a Pós-Graduação em Estudos Cinematográficos. É também documentarista, realizou Onildo Almeida, groove man (2016); Alexina –memórias de um exílio (2012) e Tejucupapo – um filme sobre mulheres guerreiras (2002), e foi colaborador de Eduardo Coutinho em Sobreviventes de Galiléia (2014) e A Família de Elizabeth Teixeira (2014). Desenvolve pesquisas no campo do audiovisual com ênfase na história e na estética do documentário. Publicou: A personagem no documentário de Eduardo Coutinho; Tejucupapo: história, teatro, cinema (Bagaço, 2004) e, em coautoria, O documentário em Pernambuco no século XX; e Transgressão em 3 Atos: nos abismos do Vivencial.
Maeve Jinkings – Nasceu em Brasília e aos cinco anos de idade mudou-se para Belém do Pará, onde se formou em Comunicação Social, seguindo posteriormente para São Paulo para estudar artes dramáticas. Em 2009 filmou um curta-metragem em Recife, sendo este o primeiro de uma série de trabalhos no Estado. Sua parceria com a produção de cinema pernambucano resultou até hoje em mais de dez longas, entre eles Aquarius (2016), Açúcar (em finalização), Boi Neon (2016), Seu Cavalcanti (em edição), Amor Plástico e Barulho, Boa Sorte Meu Amor (2013), Era Uma Vez Verônica (2013) e O Som ao Redor (2013). Pela atuação em Amor Plástico e Barulho, recebeu diversos prêmios de melhor intérprete, entre eles o de Melhor Atriz no 46º Festival de Brasília e o premio de Melhor Atriz no BRAFFT 2014, Festival Brasileiro de Cinema em Toronto. Sua estreia em teledramaturgia ocorreu em 2015 na novela A Regra do Jogo. Maeve também tem atuado como preparadora de elenco, atividade que desempenhou nos filmes Sem Coração e Big Jato.
Mannu Costa - Produtora, sócia da Plano 9 Produções. É professora no curso de Cinema e Audiovisual da UFPE e doutoranda na UFRJ, desenvolvendo pesquisas na área de Políticas Públicas para o Cinema no Brasil. Há mais de 10 anos, trabalha ocupando uma variedade de funções na área de produção audiovisual, como Produtora, Produtora-Executiva, Diretora de Produção, Assistente de Produção e outros. Acumula participações em curtas, longas e videoclipes, além conteúdo para TV, entre documentários, ficções e animação. Participou do Programa de residência artística e profissional “Talents 2014”, do Berlinale (Festival de Cinema de Berlim). Atualmente está envolvida na realização de 04 longas-metragens e 02 séries de TV. Entre as obras mais recentes, destacam-se Amores de Chumbo (Dir. Tuca Siqueira), Xingu, Cariri, Caruaru, Carioca (Dir. Elizabeth Formaggini), Em nome da América (Dir. Fernando Weller), Eles Voltam (Dir. Marcelo Lordello) e Maria Prestes (Dir. Ludmila Curi).
Confira a composição do Júri Oficial da Mostra Competitiva de Formação:
Bruno Cabús - É artista, fotógrafo, animador, arte-educador, realizador, formado em Biologia. Trabalha no universo audiovisual desde 2004. Fundou o Cineclube Central em 2006. Mantém o projeto Animeco – cinema de animação, como idealizador e instrutor, desde 2008 e já foi premiado em 2 festivais com o seu filme “Visceral” – animação com inserts de live action, 2º lugar na categoria animação no 14ºFestcine – Pernambuco e como Prêmio Vocação no 11º MUMIA – Minas Gerais. Atualmente trabalha na finalização de seu novo curta-metragem de animação “CO-44” cujo resultado das pesquisas para a produção do filme resultou na instalação: “Imagomotus – Laboratório de experimentos ópticos construídos a partir de sucata eletrônica”, que funciona como uma verdadeira estação didática sobre a imagem em movimento. A instalação ficou exposta no Cinema São Luiz durante o Festival Brasil Stop Motion e o MOV – Festival Int. de Cinema Universitário de Pernambuco.
Patrícia Roberta da Silva Araújo - Formada em Ciências Sociais, atualmente é estudante do mestrado em Antropologia (UFPE). Integrante do Cineclube Avalovara que atua na cidade de Vitória de Santo Antão e participou da produção da I Mostra de Cinema de Vitória de Santo Antão (abril de 2016).
Thiago Ribeiro Hora - Tem formação em Cinema e Audiovisual, trabalha desde 2005 como técnico audiovisual para cinema, TV e vídeo. Vem participando como educador de audiovisual em projetos de formação em ONGs de Sergipe e Pernambuco. Teve a oportunidade de ser secretário e presidente da ABD-SE (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas Secção Sergipe), lá idealizou e implementou o projeto “Memória Audiovisual Sergipana” que ganhou o 1° edital Pontos de Memória do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), além de desenvolver diversas ações de promoção, defesa e preservação do patrimônio audiovisual e de seus realizadores. Participou da equipe de gestão do CineABD cineclube vinculado ao CineMaisCultura, e atualmente coordena o Cineclube Cinerama – Cine Jáu localizado no distrito de Apoti, município de Gloria do Goitá, na zona da mata pernambucana, como uma das ações inicias de um projeto de formação, preservação e desenvolvimento sociocultural desenvolvido pelo Instituto Kinorama no qual é sócio fundador. Também já trabalhou com documentários em televisão, bem como com produção de vídeo-aulas. Atualmente é técnico audiovisual no IFPE, Integrante do GEAV (Grupo de Pesquisa em Antropologia Visual), presta consultorias técnicas em audiovisual, é pesquisador assistente no LAV (Laboratório de Antropologia Visual) e desenvolve projetos e pesquisa na área de patrimônio e preservação.
Michelle de Assunção
Gestora de Comunicação
Secult-PE l Fundarpe

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