Josildo Sá comemora 10 anos de Samba de Latada no Clube das Pás

Foto: Normando Siqueira
O ano de 2006 foi um divisor de águas na carreira do cantor e compositor pernambucano Josildo Sá. Nascido em Floresta e criado em Tacaratu, o sertanejo já trazia na veia a identidade do forró nordestino e todas as suas variações. Mas foi neste ano, 2006, quando atingido por aqueles encontros que só a vida explica, e gravou parceria antológica com o clarinetista Paulo Moura, que Josildo carimbou seu nome da história do forró pernambucano, sob a marca do “Samba de Latada”.

Um trabalho de grande relevância artística e cultural que, além de promover um salto na trajetória artística de Josildo, contribuiu para diversificar os estilos do forró praticados no nordeste brasileiro. O músico trouxe de volta para a cena do forró o formato sambado que andava esquecido, desde que o chamado pé-de-serra tomou conta do repertório dos grandes nomes do gênero.

“O projeto foi um marco na minha carreira e favoreceu ainda para que os músicos da minha geração aprendessem o valor das trocas, de não ficarem fechados apenas ao que já fazem, a como já tocam. Paulo Moura me mostrou que a música é um leque, e a partir dele eu me abri para experimentar outras vertentes e com isso ganhei o Brasil, e onde chego hoje sou o rei do Samba de Latada”, comemora Josildo.

DISCOGRAFIA DA LATADA - De fato, depois do lançamento de “Samba de Latada”, com Paulo Moura, em 2006, Josildo Sá lançou outros trabalhos sob a mesma marca. Primeiro veio do Samba de Latada ao Vivo, de 2011, que também gerou um DVD do show de Josildo com Paulo Moura, no Teatro Santa Isabel. Em 2012, o CD e DVD “Samba de Latada Ao Vivo” foi considerado um dos três melhores discos de música nordestina do Brasil, na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira, realizado no Rio de Janeiro. 


O show, que até hoje é um dos mais aclamados do artista, tem como base alguns clássicos do forró nordestino, de grandes autores, que vão de Zé Dantas (Forró de Mané Vito), a Paulo Moura (Mulatas), passando por Jacinto Silva (O trem pega), e Cecéu (com o contagioso Forró do Poeirão).

Depois Josildo lançou o “Tem Frevo na Latada” (2011), que tem em sua base obras de Luiz Gonzaga, João Silva e Zenilton, com arranjos dos reverenciados maestros de frevo pernambucanos Edson Rodrigues e Ademir Araújo. Em 2014, foi a vez de “Latada para Vaqueirama”. Há mais de dez anos atuando como diretor musical da Missa do Vaqueiro, Josildo é grande conhecedor das músicas de aboiadores que dominam nas pegas de boi. “Esse disco foi uma homenagem à dupla Vavá Machado e Marcolino e traz seis faixas clássicas desses artistas que construíram uma carreira sólida em vaquejadas no Sertão nordestino”, conta o compositor.

Em 2015, ele também lançou “Latada Pé de Serra”, um formato em que valorizou o tripé do forró, com músicas gravadas apenas com sanfona, zabumba e percussão. No show do dia 4 de novembro, onde irá comemorar os dez anos do Samba de Latada, Josildo fará um apanhado de todos os trabalhos lançados sob a marca da Latada. Pois, como diz o artista: “a latada tá cheia e ainda cabe mais”.

CONCEITO - O xote era, e ainda é, o ritmo que prevalece entre os chamados “forrozeiros gonzaguianos”. Não que Josildo abra mão do clássico tripé “sanfona, triângulo e zabumba”. Mas estão nos metais e cordas o diferencial dos seus arranjos e andamentos musicais. É aquele molho que dá o sabor diferente e faz com que, quem deguste, se deleite nas pisadas sambadas, de gafieira, que dialogam com as danças de salão latinas deste lado abaixo do Equador.

Quem frequentou os “sambas nordestinos” (como eram chamadas as festas para se dançar junto) até os anos 60 (chegando aos anos 70), viu o forrobodó acompanhado por sanfona, violão de sete, cavaquinho, banjo e palhetas ou sopros desde que se encontrasse alguém que tocasse instrumentos caros feitos estes.

“Nos forrós tocavam-se mais sambas de latada do que o próprio baião. Latada, pros que não sabem, é terreiro de chão batido, coberto por folhas de flandres, onde aconteciam os forrós, ou sambas. Gonzaga foi dos primeiros a gravar sambas de latada. Um samba que tem os meneios e o jeito direto de ir ao assunto do nordestino em geral, e do pernambucano em particular”, comenta Josildo.

Samba de Latada, para Josildo, vai além de um gênero, um estilo, ou uma pegada do forró. Tem a ver também com possibilidades musicais. Pois foi através da parceria com Paulo Moura que o músico percebeu que o gênero abre novas possibilidades. “O Samba de Latada se comunica com outras vertentes, e me mostrou isso deste o meu primeiro CD, Virado num Paletó Veio. De lá para cá toquei com Paulo Moura, com João Donato, com Leo Gandelman, e também com o rapper Zé Brown e todo mundo do forró em Pernambuco e no Brasil”, relata Josildo.

SERVIÇO:

10 Anos de Samba de Latada
Show de Josildo Sá, com participações do maestro Spok e Irah Caldeira
Abertura com Orquestra do Clube das Pás
Quando: 4 de novembro (sexta-feira), a partir das 20h
Onde: Clube das Pás (Rua Odorico Mendes, 263, Campo Grande)
Ingressos preço único: R$ 20
Informações e reservas de mesa pelo telefone: (81) 989162577 l 997948915

Amannda Oliveira

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