Solenidade marcou entrega do Prêmio Ariano Suassuna

Foto: Aluísio Moreira/SEI

Buscando fomentar e difundir os saberes e fazeres da Cultura Popular no Estado, o Governo de Pernambuco premiou, na tarde desta terça-feira (19.07), 13 vencedores do 1º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia. Comandada pelo governador Paulo Câmara, a cerimônia de entrega da premiação, realizada no Teatro de Santa Isabel, no Recife, totalizou um incentivo R$ 151 mil, dividido entre dois segmentos e cinco categorias participantes. Inspirado na forte contribuição do escritor e homenageado, o concurso é uma iniciativa da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). 

“Esse prêmio foi a forma que o Estado encontrou de agradecer por tudo que é realizado em prol da cultura de raiz, por tudo aquilo que não foi esquecido. No papel de governador, eu tenho o dever de dar continuidade ao trabalho de Ariano Suassuna e de tantos outros mestres que contribuíram e dedicaram sua vida à Cultura Popular”, pontuou o governador Paulo Câmara. “Como pernambucano, como brasileiro, acredito que qualquer homenagem a Ariano é pouco, perto de tudo que ele fez pela nossa cultura.”, completou.
A primeira edição do Prêmio Ariano Suassuna registrou um total de 125 inscrições nos dois segmentos, sendo 70 para “Cultura Popular” e 55 para “Dramaturgia”. O primeiro incluiu as categorias “Mestres” e “Grupos”, das quatro macrorregiões: Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão. Este segmento foi bonificado com valores de R$ 10 mil (Mestre) e R$ 15 mil (Grupos), cada. Já no segmento da Dramaturgia, que contou as categorias “Teatro de Formas Animadas”, “Teatro para a Infância e Juventude” e “Teatro Adulto”, os vencedores foram contemplados com R$ 10 mil (primeiros lugares) e R$ 7 mil (segundos lugares) para cada uma das três categorias.

VENCEDORES NO SEGMENTO CULTURA POPULAR
RMR – GRUPO
Afoxé Alafin Oyó

No Carnaval de 1986, a agremiação fez a sua primeira apresentação e, ao longo dos seus 30 anos de história,vem repassando o bastão entre mestres e aprendizes em diversas áreas. Tendo como fundadores Jorge Ribas e Zito, o grupo, além dos cortejos e apresentações, também desenvolve ações comunitárias como oficinas de percussão, capoeira, canto e serigrafia. O objetivo é resgatar e divulgar a cultura negra através de toques e danças afros, que fazem louvaçoes aos orixás do Candomblé. As ações do Alafin Oyó o fizeram ser contemplado, em 2004, pelo edital de Ponto de Cultura do Ministério da Cultura.
RMR – MESTRE
Ana Lúcia Nunes da Silva (Mestra Ana Lúcia do Coco)

Nascida Ana Lúcia Nunes da Silva, a mestra Ana Lúcia do Coco foi criada em um rico ambiente de manifestações da música de raiz de Pernambuco. Ainda criança, participou de um grupo de pastoril, comandado por sua família, que posteriormente foi batizado “Estrela de Belém”. O grupo lhe foi deixado como legado, assim como o coco de roda, que a fez sair de casa e conhecer o mundo ainda na mocidade. Ao lado da também lendária coquista Dona Ivone, das primeiras gerações desta cultura popular no bairro do Amaro Branco, em Olinda, Ana Lúcia foi construindo sua própria história. Na sua vida, o coco é tradição passada oralmente de geração, em geração. Suas filhas, netas e bisnetas já são também coquistas e fazem parte do grupo que Ana Lúcia conduz já há mais de 50 anos. Ana Lúcia do Coco também é conhecida pelo trabalho que desenvolve com as crianças e adolescentes da comunidade do Amaro Branco por mais de três gerações. Os integrantes do grupo, hoje mais de 30, realizam ensaios e estudos sobre as peças, os personagens, a simbologia e a história deste folguedo, além da queima da Lapinha no Dia dos Reis (6 de janeiro), com cortejo, queima de fogos, distribuição de lanches e presentes para as crianças.
AGRESTE – GRUPO
Casa do Pífe

Criada em 2014, a Casa do Pífe, localizada no Polo Cultural da antiga Estação Ferroviária de Caruaru, é um espaço dedicado ao estudo, pesquisa, salvaguarda e difusão das bandas e mestres do saber popular dos pífanos do Estado de Pernambuco. Tendo como fundador o músico José Feliciano Rodrigues, mais conhecido como Zé do Estado, o local abriga a Associação Brasileira de Bandas e Tocadores de Pífano – ABBATOPI, e serve como ponto de encontro/apoio às bandas de pífano que hoje existem na cidade. Na Casa também são realizadas oficinas de fabricação de pífano, de música regional, aulas de instrumentos regionais e da história da música popular brasileira.
AGRESTE – MESTRE
Benoni Bezerra de Carvalho (Mestre Benoni)

Mestres do reisado Três Reis do Oriente, grupo mais antigo de reisado em atividade de Garanhuns, Benoni Bezerra de Carvalho é o grande guardião da ciência desta tradição. Seu grupo foi vencedor, em 2010, do Prêmio de Mestres de Culturas Populares, do Ministério da Cultura. Em 2013, Mestre Benoni e o reisado Três Reis do Oriente foram homenageados pelo Festival de Inverno de Garanhuns pelo centenário de atividade do grupo. Pela ocasião e importância da manifestação, eles foram convidados para representar Pernambuco em apresentações em outros Estados, tamanha sua originalidade e riqueza de suas indumentárias e passos/batidas.
ZONA DA MATA – GRUPO
Caboclinho União Sete Flexas de Goiana

Fundado em 1991, pelo mestre Nelson, o Caboclinho União Sete Flexas de Goiana é um dos grupos mais importantes da Mata Norte de Pernambuco, onde mantém uma série de atividades, como oficinas de dança e bordados. A agremiação, cujo nome reverencia o Caboclo Sete Flexas, uma entidade da umbanda, se destaca pela forte marcação das pisadas, guiadas pelo compasso da preaça (arco-e-flecha de madeira). O Sete Flexas marca presença em vários polos do carnaval Pernambucano, e já ganhou várias premiações, nas mais diversas categorias do Concurso de Caboclinhos organizado pela Prefeitura do Recife. No carnaval deste ano foi campeão do grupo especial do Carnaval.
ZONA DA MATA – MESTRE
José Lopes da Silva Filho (Mestre Zé Lopes)

José Lopes da Silva Filho, o Mestre Zé Lopes, começou ainda menino a se interessar pelo mamulengo. Era levado por seus tios Chico e Zé, que também brincavam, para assistir a todas as apresentações nas redondezas. Entre os primeiros mestres que conheceu estão Zé Grande, Severino da Cocada, Luis da Serra e Zé di Vina. Depois dos espetáculos, Zé Lopes costumava fazer pequenos bonecos de mandioca ou pinhão e, mais tarde, montou uma barraca onde fazia apresentações para o povo do sítio. Aos doze anos começou a fazer bonecos maiores, semelhantes aos dos mestres, a quem continuava a assistir assiduamente, sobretudo Zé di Vina. Aos quinze anos, chegou a fazer um mamulengo completo, com mais de setenta bonecos, e começou a se apresentar com seu tio Chico e, eventualmente, com outros mestres. Com dezesseis anos, vendeu seu mamulengo para Zé di Vina e foi morar no Recife, onde trabalhou numa serraria. Após um longo período em São Paulo, fundou o Mamulengo Teatro do Riso em 1982, na festa de Nossa Senhora da Conceição, em Glória do Goitá, tendo como mestres Zé Sales, Zé da Banana, Zé di Vina e o próprio Zé Lopes. Seu brinquedo tornou-se uma das maiores referências da brincadeira do Mamulengo e ele já o levou para diversas cidades do Brasil, e já esteve também em Portugal e Espanha com a manifestação.
SERTÃO – GRUPO
Associação Cultural Samba de Coco das Irmãs Lopes

Localizada em Arcoverde, a Associação Cultural Samba de Coco das Irmãs Lopes funciona há 16 anos e é um espaço que mantém viva a tradição musical da família, que, no ritmo do samba de coco, agrega em sua história personagens como Ivo Lopes, Leni, Josefa, Severina, Biu Neguinho, Lourenço e Romeiro. A sede da Associação agrega também o Museu Ivo Lopes, fundado pela mestra Severina Lopes, que contribui para a formação artística dos moradores e preserva a cultura e a história da cidade. Em 2014, o grupo lançou o CD ‘Anda Roda’, primeiro registro musical do Coco Irmãs Lopes, que neste ano celebra 100 anos de luta e resistência cultural no sertão pernambucano.
SERTÃO – MESTRE
A Comissão de avaliação considera que as propostas da categoria Mestres e Mestras de Saberes e Fazeres da Macrorregião Sertão não continham documentação comprobatória suficiente para indicar a premiação.

VENCEDORES NO SEGMENTO DRAMATURGIA
CATEGORIA TEATRO DE FORMAS ANIMADAS
1º lugar
Texto: Cantigas e histórias na terra do Sabiá ou que é meu é meu e o boi não lambe
Autora: Maria Oliveira

Bibliotecária (formada pela UFPE), atriz e bonequeira. Desde os anos 70 atua nas áreas de teatro, arte-educação e cultura popular. Nos anos 90 desenvolveu atividades artísticas na área de Saúde Mental (Hospital Ulysses Pernambucano e CAPS do Cabo de Santo Agostinho), onde escreveu vários esquetes teatrais ainda inéditos. Orienta oficinas de iniciação ao Teatro de Formas Animadas na área metropolitana do Recife e em várias regiões do estado de Pernambuco. Mantém um ateliê em sua residência, com produção de bonecos de rua, bonecos de mamulengos, máscaras carnavalescas, bruxinhas, dentre outros.
Município: Recife

2º lugar
Texto: Severino Brincante
Autor: Alex Apolonio Soares

Nascido em Garanhuns, é ator e dramaturgo. “Com dezesseis anos subi em um palco antigo, o único teatro de minha cidade, o cheiro de passado, a luz dos refletores incidindo sobre meus olhos, os morcegos… Tudo aquilo me agitou os instintos, desde então, não parei mais… Pelas ruas, praças, trens e até mesmo em páginas, como ator e dramaturgo cedo meu corpo para que personagens comuniquem coisas que eu, ao sabor de minha vida cotidiana, não conseguiria”, conta o vencedor.
Município: Garanhuns

CATEGORIA TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE
1º lugar
Texto: Um conto de Marias ou de Maria Flor
Autor: Raphael Gustavo Soares Ferreira

Ator, diretor e professor de teatro e língua portuguesa. É formado em Letras pela Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão (Faintvisa). Já trabalhou como coordenador pedagógico de teatro nas escolas de Vitória de Santo Antão e foi um dos vencedores do Sarau Poético e Lírico da Faintvisa em 2012, com o texto Encruzilhada. Trabalha com direção artística de óperas, ao lado de Francisco Mayrink desde 2010, e participou de diversas produções e festivais pelo Brasil. É integrante da Cia. Experimental de Teatro e um dos responsáveis pela elaboração dramatúrgica dos espetáculos do grupo.
Município: Vitória de Santo Antão

2º lugar
Texto: O sonho de ent
Autor: André Filho

Graduado em Matemática, possui pós-graduação em História das Artes e Religiões, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. É ator, músico, professor e diretor de teatro. Além disso, é fundador e integrante da Companhia Fiandeiros de Teatro, desde 2003. Já dirigiu os espetáculos: O capataz de Salema (2006); Outra Vez, Era uma Vez… (2008); Noturnos – Além daquela rua (2001);Vento Forte para Água e Sabão (2016).
Município: Recife

CATEGORIA TEATRO ADULTO
1º lugar
Texto: Talvez sim, talvez não
Autor: Cleyton José de Andrade Cabral

É publicitário, ator e escritor. Publicou Tempo nublado no Céu da Boca (contos) e a coletânea Escrever ficção não é bicho-papão, junto com o Autoajuda Literária, grupo de estudos de literatura do qual faz parte. Em 2016, lançará seu texto teatral infanto-juvenil O menino da gaiola, já encenado em 2013, marcando sua estreia como dramaturgo.
Município: Olinda

2º lugar
Texto: A dança ou o evangelho?
Autor: Alberto Vilarinho Amaral

Produtor cultural, ator, roteirista e redator publicitário. Iniciou suas atividades em 1980, como ator do Teatro Universitário Boca Aberta – TUBA, com a peça Guarani com Coca-Cola, grupo que marcou época na cena teatral pernambucana. Tem mais de 20 anos de experiência em projetos culturais e sociais. Depois de anos ausente da área cultural, voltou a escrever e a desenvolver, em parceria com alguns autores e produtores locais, projetos de literatura, teatro, do audiovisual e, em especial, na área da comunicação e informação cultural em estruturas de multiplataforma (TV/rádio/web).
Município: Recife.

Fundarpe

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