Ditadura Militar é tema de filme rodado no Recife


Recife preserva a memória de outros tempos, seja nos casarões, monumentos e ruas de paralelepípedos. A cidade ajuda a contar a história do país. Nem sempre as melhores. Um lado sombrio do nosso passado pode ser revisitado todos os dias. Um exemplo é o Forte das Cinco Pontas, onde ficou preso o político pernambucano Gregório Bezerra. Tudo está preservado tal como era. A cela. Os canhões. Um grande cenário a céu aberto.

O cineasta Benedito Serafim decidiu voltar no tempo e relembrar uma história que muitos tentam esquecer. Assim nasceu o roteiro do curta-metragem “Não me cobre coerência”.

“Eu decidi rodar esse filme por uma inquietação minha, que é falar sobre a Ditadura Militar. O tema sempre me chamou atenção. É o momento mais cruel e obscuro da nossa história. Eu queria falar sobre Ditadura Militar no Recife. A gente até tem o longa Tatuagem, mas que acaba sendo mais voltado para o grupo artístico e já é em 78. Nós queríamos ir realmente no período de chumbo.”, conta Serafim.

O filme vai abordar ainda uma relação familiar interrompida bruscamente pela Ditadura Militar. Pai e filho estarão em lados opostos. Trata-se de Plácido e Amaro. Pensamentos diferentes que se cruzam em um dia fatídico. O cenário é de torturas, amores, rebeldias e um ato impensado. Incompreendido.

“Falar sobre rebeldia e as relações de pai e filho naquele momento também me motivaram. Na nossa história a família paga um preço alto demais.”, disse o cineasta.

Em um momento tão delicado politicamente em vários lugares do mundo, falar sobre Ditadura Militar é mais do que propicio.

“É sempre importante relembrar a história que não podemos esquecer. Temos no filme muitas torturas, assassinatos. Em 72, era uma outra história. Esse filme chega em um momento importante no momento em que estamos vivendo, que o mundo está vivendo.”, afirma.

O filme tem previsão para ser finalizado no fim de agosto, quando começará a participar de festivais em todo país. O último trabalho de Benedito Serafim, foi o curta-metragem “Crua”, ganhador do prêmio de melhor filme, na categoria Júri Popular, no Recifest.

Alessandro Moura

Um comentário:

Amannda Oliveira. Tecnologia do Blogger.