Feira de São Cristóvão - o que pensam os feirantes sobre a mudança ?

Toda mudança requer coragem, por que toda mudança é dolorosa, desacomoda e dá medo. Algumas feiras como a de Caruaru, existem há anos, e cresceu tanto que sufucou o centro da cidade, até hoje , diversos prefeitos tentam modificar o local da feira, e esbarram na falta de espaço suficiente, na colaboração e aceitação por parte dois feirantes e em coragem de fazê-lo. Em Arcoverde, após anos de promessa de muitos políticos, Madalena Britto, criou um novo pátio para receber com estrutura a Feira do São Cristóvão que se despediu neste domingo (15), das ruas que ocupou durante anos. Se a maioria dos moradores em torno da feira festejavam com a sua saída, os feirantes se mostravam com medo do novo, alguns não queriam sair por medo de perder os clientes , já os alguns acham que o novo espaço dará estrutura e que é o começo de uma nova fase com mais estrutura.


Seu Lima é um exemplo disso, começou a trabalhar na feira ainda menino com 12 anos, inicialmente carregando mercadoria para alguém e com o passar do tempo , para si mesmo. Trabalha com a família hoje e se diz satisfeito com a mudança, " eu acho que pra gente vai ser bom, se vai todo mundo pra lá, os compradores vão também, eu não acho ruim não.


Seu José Carlos trabalha na feira há 8 anos, e pra ele a mudança não será boa para os feirantes, por que eu já tenho meus fregueses tradicionais, e alguns me disseram que não iriam para o novo espaço lá embaixo, então pra mim, não vai ser bom não. Acho que vai prejudicar muito os vendedor. Pra nós a feira fica como está. 



Dona Maria Expedita chegou com 12 anos na feira , trabalha nela há mais de 30 anos. "Eu não estou achando muito boa não viu, aqui é melhor. Lá a gente não sabe como vai ficar lá, não fui lé ainda. "


Seu Antônio Cavalcanti, trabalha há 15 anos vendendo sapatos, " eu já fui lá conhecer o espaço e gostei muito, se a gente chegar a alcançar o patamar de vendas que a gente tem aqui lá, vai ser uma maravilha, por que o lugar é coberto, lá a estrutura dos bancos é outra, mais organizado, eu achei melhor. Eu avisei aos clientes que vai haver a mudança como eles já sabem, e eles dizem que vão procurar a gente lá e eu espero que eles achem a gente pra não ter mudança nas vendas né?


Seu Josivan vende peixe há dez anos na feira, é o homem do peixe. "Eu não tenho muito o que dizer não, sempre venho e vendo meu peixe, mas a maioria não está gostando não, se fosse pela gente a feira ficava como tá mesmo. Eu acho que lá vai dar certo, mas o que nós se preocupa é que aqui o povo tá acostumado, todo mundo já vem direto aqui, mas a dificuldade que dá é o povo não achar a gente. Eu acredito que tudo vai se encaixar, aonde tiver eu tô junto trabalhando que meu negócio é esse aqui."


Seu Aluísio , vem de Custódia, há 02 anos, e assim como dona Maria, está na lista de reserva. "Eu já fui conhecer o novo local lá, mas só vou saber como vai ficar depois né, eu já dei meu nome e agora é esperar".


Sueli está na feira há mais de 28 anos, " Por mim não mudava não, por mim ficava como está aqui; por que aqui a gente já está acostumado e eu queria que ficasse aqui."


Se em toda feira tem que ter pastel nessa não é diferente, seu Carlos Eduardo vende pastel com toda a família há 02 anos , " pra mim a mudança é muito boa, a gente vai deixar de tá no sol aberto para ficar em um local específico. Meus clientes estão divididos, uns dizem que vai e outros não, mas depois que todo mundo tiver lá eles vai".


O senhor Masahiro vende de forma ambulante, não tem local fixo. Vindo de São Paulo, fazendo um caminho inverso ao de muitos nordestinos, ele já viajou a 25 estado vendendo colares , fazendo tatuagens e escrevendo o nome das pessoas no grão de arroz. Para ele a mudança da feira vai ser boa pela qualidade e estrutura do lugar. Ele ainda fez questão de nos contar de como os nordestinos  são acolhedores e ajudam aos que vem de fora, o que na sua terra não aconteceria.


A nossa última visita foi no bando de dona Teresa, que vende lingerie com a família há mais de 21 anos. " O que eu acho é que a mudança pode ser boa, meu medo é que pra nós ele fique pequeno, por que nós temos três pessoas trabalhando aqui . São mais de 16m de banco, já vieram aqui e mediram para ajustar lá, só que aqui a nossa largura é bem maior, vai ser mais difícil expor as coisas. Na verdade, cada tipo de produto aqui tem um padrão, ficava difícil fazer um que desse pra todos. Eu também não gostei desse cadastro de reserva, por que já tem gente de mais aqui e olhe que muita gente desistiu de ser feirante por que a crise tá fazendo tudo muito difícil aqui."

A prefeitura inaugura o novo Pátio Lídio Cordeiro Maciel neste segunda-feira (16), às 15h e nós estaremos lá registrando tudo passa a passo.

Amannda Oliveira

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