Câmara autoriza instauração de processo de impeachment de Dilma com 367 votos a favor e 137 contra

Processo contra Dilma segue para o Senado que, por maioria simples, pode admitir a denúncia e afastá-la do cargo. A condenação depende do voto de 54 senadores e resulta na perda do mandato e inelegibilidade por oito anos.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados


Com os votos favoráveis de 367 deputados, 137 contrários e 7 abstenções, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o relatório pró-impeachment e autorizou o Senado Federal a julgar a presidente da República, Dilma Rousseff, por crime de responsabilidade. 

A sessão foi tensa, iniciada com princípio de tumulto. Cada voto dos 511 deputados foi pontuado com comemorações de cada lado. O voto de número 342, mínimo para garantir o julgamento pelo Senado, foi celebrado à exaustão pelos partidários do impeachment, que tiveram apoio de deputados de 22 partidos. Apenas Psol, PT, e PCdoB não deram votos à favor do impedimento da presidente Dilma. 

A sessão de votação durou cerca 6 horas, mas todo o processo de discussão e votação do impeachment, iniciada na sexta (15) consumiu quase 53 horas.

Para quem estava em casa assistindo aos discursos ou frases soltas hora se espantava, hora morria de vergonha, hora achava graça. Vergonha de perceber a péssima escolha feita pelos brasileiros nas urnas. É em um dia história como este que percebemos que muitas vezes fazemos das urnas pinico. Os deputados ofereciam seus votos a mãe, os filhos, a esposa, os netos, e quase aos cachorros da casa, mas esqueciam claramente de votar SIM ou NÃO por que os colocou lá, o povo brasileiro. Era uma vergonha perceber que somos capazes de eleger uma corja de ratos daquele tamanho, que se regojiza com os escárnios, que faz pose para votar para ver como sai na televisão e esquece que estavam ali decidindo a cerca do país. Alguns eram tão analfabetos que mal sabiam o que falavam. 

Mas o horror da noite me veio no discurso sempre recheado de ódio do deputado Jair Bolsonaro, no seu discurso de voto ele homenageou a memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que torturou Dilma Rousef durante o regime militar. O deputado ainda homenageou as forças militares, com uma saudade enorme do regime militar. Não sei como um brasileiro consegue fazer menção a uma página tão vergonhosa do nosso país com saudades como ele fez, talvez por que como perseguidor de tudo aquilo que vá de encontro aos seus delírios de ódio e preconceito, a ditadura lhe seria conveniente. A bancada pernambucana vou de acordo com o quadro abaixo, sendo 6 votos contra, uma abstenção e 18 votos a favor.

Imagem: Blog do Jamildo

O Deputado arcoverdense Zeca Cavalcanti, foi coerente no seu voto. Estando com Dilma durante a sua campanha e fazendo parte da bancada governista durante o seu governo, ele disse: "Seria facílimo o voto depois de 355 votos já concordando com o impedimento da presidente da República. Mas, venho lá de Pernambuco, do Sertão de Pernambuco, da cidade de Arcoverde, e lá...assim como alguns companheiros já deram e assinalaram seu voto. O meu voto é pela democracia, é pelo Brasil, é por Pernambuco e, em especial, pelo Sertão de Pernambuco...Meu voto é não pelo impedimento da presidente”, concluiu.

Em toda votação houve abstenção por parte dos deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS), Vinícius Gurgel (PR-AP), Beto Salame (PP-PA), Gorete Pereira (PR-CE), Sebastião Oliveira (PR-PE), Mário Negromonte Jr. (PP-BA) e Caca Leão (PP-BA). Apenas duas ausências foram registradas, a dos deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Clarissa Garotinho (PR-RJ).


O parecer que recomenda a investigação contra a presidente Dilma Rousseff chega ao Senado Federal às 15h desta segunda-feira. Lá, será constituída uma comissão especial para decidir se valida, ou não, o pedido de abertura de investigação. Se for aprovado por 41 senadores, a presidente será afastada do cargo e julgada pelo Senado. Uma eventual condenação, que depende do aval de 2/3 da Casa (54 senadores), tira Dilma do cargo e a torna inelegível por oito anos. 

Texto: Agência Câmara de Notícias e Amannda Oliveira


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