Denunciar ainda é a melhor arma no combate a violência contra a mulher


A violência contra a mulher ainda é um problema que assola o nosso país. Entre 2003 e 2013, o número de vítimas do sexo feminino passou de 3.937 para 4.762, incremento de 21,0% na década, dados do Mapa da Violência 2015. Desse percentual a quantidade de homicídios de mulheres brancas por ano caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013. Já no recorte de homicídios de mulheres negras a pesquisa aponta um assombroso aumento de 54% em dez anos. Saiu de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013.

Pernambuco está entre os cinco estados que registraram quedas nestas taxas, no entanto ainda há muito a ser feito. Segundo a Delegacia da Mulher, foram 31.806 ocorrências entre janeiro e agosto do ano passado. Entre os crimes mais comuns, estão injúria, ameaça e lesão corporal.

“Precisamos superar as barreiras culturais que impedem a denúncia da violência contra as mulheres. Além de punir o homem que violenta, a denúncia ajuda as instituições no mapeamento e na geração de dados que colaboram na elaboração de políticas de enfrentamento cada vez mais direcionadas”, comenta a deputada federal Luciana Santos. Para ela, a denúncia é uma arma importante para as vítimas na punição e prevenção, “só em Pernambuco, mais de 30 mil mulheres sofreram algum tipo de violência de gênero, em 2015. Esses números precisam diminuir”, explica a deputada.

Neste sentido as legislações e políticas públicas de enfrentamento e combate à violência contra a mulher assumem papel de destaque. Para a secretária da Mulher de Pernambuco, Sílvia Cordeiro, em entrevista para…  “A Lei Maria da Penha foi uma grande conquista das mulheres brasileiras. Por isso, nós mulheres temos que saber que estamos com o sistema de justiça a nosso favor, com a Secretaria de Defesa Social (SDS) e seus serviços à disposição, e é isso que vai fazer com que a gente dê um basta nessa violência”.

Sororidade em rede

Grosso modo, sororidade pode ser compreendido como um pacto entre as mulheres que se reconhecem como irmãs. Em tempos de fácil acesso às ferramentas de Tecnologia de Informação e Comunicação, e com o aparato gratuito das redes sociais, as vítimas de violência feminina contam com importantes aliados para exercer esse pacto.

Grupos secretos no Facebook e Whatsapp ajudam nas denúncias e no rápido compartilhamento de informações que podem salvar vidas de grandes traumas. Um bom exemplo desse monitoramento colaborativo contra a violência feminina é o aplicativo “Mete a colher”, uma rede colaborativa criada por designers, jornalistas, desenvolvedoras, analistas de marketing e psicóloga, pernambucanas, para que as vítimas possam compartilhar suas experiências (conheça o app: http://bit.ly/1RehggD)

De acordo com o Diário de Pernambuco, que fez matéria sobre a iniciativa, o projeto surgiu durante o evento de empreendedorismo feminino, Startup Weekend Women. Pela primeira vez participando do encontro, um grupo de nove mulheres se reuniu para criar a plataforma. Por enquanto o app ainda está na versão beta, para testes e receber retorno das usuárias quanto ao uso. "A maioria das mulheres que denunciam estão sós. A rede funciona para que se ela precisar, tenha apoio jurídico, psicológico, entre outros", explica Blyza.

Outra experiência online o Vamos Juntas? tem pouco mais de 320 mil curtidores no Facebook e estimula o cuidado entre mulheres. “Na próxima vez que estiver em uma situação de risco, observe: do seu lado pode estar outra mulher passando pela mesma insegurança. Que tal irem juntas?” a sugestão é a descrição da comunidade que recebe relatos dos mais diversos cantos do país sobre experiências de cuidados e proteção mútuos. A experiência rendeu um livro  "Vamos juntas? – O Guia da sororidade para todas" que está sendo lançado neste mês de março no Rio Grande do Sul (RS), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

“A construção dessa rede de proteção é decisiva. A iniciativa de denunciar ações de violência e de machismo é fundamental para que outras mulheres despertem e sintam-se seguras para denunciar e enfrentar a situação de violência. É importante elevar o nível de consciência da sociedade, participar do debate de ideias e de desconstrução do machismo, e efetivar uma rede de proteção da mulher que envolva as políticas públicas, o aperfeiçoamento da legislação e dos equipamentos de proteção”, avalia a deputada Luciana Santos.


João Paulo Seixas e Ana Cristina Santos

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